sexta-feira, 28 de outubro de 2011


O LUTO PARA QUEM PERDE UM FILHO(A) E ENFRENTA A DOR




O luto de quem perde um(a) filho(a) é diferente de qualquer outro. Tem o poder de destruir uma família e tornar insuportável o peso de tocar a vida adiante.
"A vida perdeu o sentido". "Em situações como essa, quem fica tem a sensação de que não pode ser feliz nunca mais, porque seria desleal com o(a) filho(a) que se foi".
Para qualquer pai  ou mãe, os filhos(as) são a continuação de sua história. “A criança sai do ventre da mãe para ficar no mundo depois que ela se for”.
Os pais escolhem seus carros, o lugar onde vão morar e, em muitos casos, até mesmo os empregos em função dos filhos(as). Perdê-los(as) equivale a decretar o fracasso de tudo aquilo pelo qual se viveu.
 “A primeira coisa que se pensa é: nunca mais terei alegria na vida”. “Com um(a) filho(a), morre também a esperança de imortalidade, que é um desejo primitivo e fundamental.” 
É bom saber que existem profissionais ocupados em confortar e consolar quem é vítima de uma dor como essa. Na prática, eles pouco podem fazer. A morte é sempre motivo de angústia e tristeza. Mas a perda de um(a) filho(a) é uma tragédia contra a natureza, um desastre além da razão. Nessa situação, muitos emudecem.
“A experiência do luto vem da infância”, o bebê, por volta dos 6 meses, se dá conta pela primeira vez que a mãe não está ali com ele, e acha que ela não voltará mais. É seu primeiro luto. 
A perda de um parente sempre traz de volta a angústia da criança sozinha no mundo, a vontade de se encolher, enfiar-se num buraco na terra e jamais sair dali. Quando a pessoa desaparecida é um pai ou uma mãe, o choque é de certa maneira esperado. Quando a perda é de um(a) filho(a), porém, a cicatrização parece impossível. 
“O tempo só piora, a dor nunca acaba. Cada dia é mais um dia sem ele(a). A sensação do ‘nunca’ é a pior que se pode sentir”.
O ritmo de vida de nossa sociedade torna quase impossível lidar com a perda de uma pessoa da família.
 “A recuperação leva muito tempo, e simplesmente ninguém tem tempo”. 
As pessoas que entravam em luto passavam meses e meses afastadas do convívio social, e um tempo considerável longe do trabalho. Quando saíam à rua, vestidas(os) de preto, deixavam claro seu estado de espírito. “Hoje todos têm de voltar rapidamente à vida produtiva. É um tal de dizer ‘não chora, passa logo por cima, vai em frente’”.
 Exige-se que as pessoas enlutadas cumpram regras, horários e cargas de trabalho que não têm condições de suportar.
 “É comum que os casais se separem, porque um passa a pôr a culpa no outro. Um culpado ajuda a aliviar a dor”.
 Ao perder uma criança ou um adolescente, não há pai que não ache que poderia ter feito algo para evitar a tragédia.
Mas temos que adquirir forças para cuidar dos que ficaram.

COMO ENFRENTAR A DOR:

O que os especialistas recomendam:

Procurar orientação médica: auxílio profissional é imprescindível no processo de aceitação da perda. O gesto de falar sobre a dor com alguém de fora da família é benéfico, serve como uma espécie de ritual para aliviar o sofrimento.

Manter a rotina: as atividades do cotidiano – escola, trabalho, convívio social – não devem ser paralisadas. Isso só aumenta a sensação de que a vida acabou junto com a do(a) filho(a).

Enfrentar a dor: falar sobre a tragédia, ver fotografias e chorar sempre que tiver vontade ajuda. O luto é elaborado na medida em que se entra em contato com a dor.

Evitar a culpa: quem se acha culpado julga também que poderia ter evitado a tragédia – o que é uma fantasia de onipotência. Esse pensamento impede que se viva a realidade da perda. A culpa é, em certa medida, uma forma de fugir da dor.

Tirar lições da morte: POR MAIS DOLOROSOS QUE SEJAM, todos os fatos da vida trazem alguma lição. Segundo os terapeutas, quem deixa de tirar lições da dor vai reviver a sensação de perda constantemente.

Encontrar uma válvula de escape: CADA PESSOA DEVE ACHAR SEU CAMINHO. Para uns é a religião, para outros é assumir uma causa ou dedicar-se às artes. O importante é não ficar paralisado pela dor.

Falar a verdade: não esconder as circunstâncias ou causas da morte, independentemente de tabus e preconceitos. Quando isso não acontece, as pessoas correm o risco de repetir a história e entrar numa ciranda de perdas sucessivas.


(Fonte: Instituto de Psiquiatria e Psicoterapia da Infância e Adolescência de São Paulo) 




segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A AFETIVIDADE É A FUNÇÃO PSÍQUICA RESPONSÁVEL PELA QUALIDADE DA VIDA EMOCIONAL 





O transtorno afetivo mais típico é a DEPRESSÃO com todo seu quadro clínico conhecido mas, apesar disso, talvez não seja o problema afetivo mais freqüente. Os quadros ansiosos, do tipo Pânico, Fobias, Somatizações ou a mesma Ansiedade Generalizada são os problemas afetivos mais freqüentes, pois, também esses estados têm como base psíquica as alterações da Afetividade.
Para entender a Afetividade é necessário compreendermos também alguns elementos do mundo psíquico: as Representações, as Vivências, as Reações Vivenciais e os Sentimentos.
Durante toda nossa vida, os fatos ou acontecimentos vividos por nós serão nossas experiências de vida e passarão a fazer parte de nossa consciência. Dos fatos e acontecimentos teremos lembranças e sentimentos, assim como também teremos lembranças desses sentimentos, portanto, lembraremos não apenas nossas experiências de vida mas, também, lembraremos se elas foram agradáveis ou não, prazerosas ou não...
Embora diferentes pessoas possam viver mesmos fatos e acontecimentos, cada uma delas sentirá tais fatos e acontecimentos de maneira diferente e pessoal. Perder um mesmo objeto, sofrer a perda de um mesmo familiar, passar por um mesmo assalto, ouvir uma mesma música, comer uma mesma comida, etc., poderão causar diferentes sentimentos em diferentes pessoas. 
É a Afetividade quem dá valor e representa nossa realidade. Essa Afetividade também é capaz de representar um ambiente cheio de gente como se fosse ameaçador, é capaz de nos fazer imaginar que pode existir uma cobra dentro do quarto ou ainda, é capaz de produzir pânico ao nos fazer imaginar que podemos morrer de repente.
A Afetividade valoriza tudo em nossa vida, tudo aquilo que está fora de nós, como os fatos e acontecimentos, bem como aquilo que está dentro de nós (causas subjetivas), como nossos medos, nossos conflitos, nossos anseios, etc. A Afetividade valoriza também os fatos e acontecimentos de nosso passado e nossas perspectivas futuras.
Vendo uma antiga fotografia de algum ente querido já falecido, algumas pessoas experimentam sentimentos tenros, suaves, saudosos e até agradáveis, outras, por sua vez, podem experimentar sentimentos de angústia, tristeza, sensação de perda, pesar, enfim, sentimentos desagradáveis. O que, realmente, dentro das pessoas faz com que essa foto seja valorizada (Representada) dessa ou daquela maneira? Trata-se da Afetividade.
O melhor exemplo que podemos referir para entender a Afetividade é compará-la à óculos através dos quais vemos o mundo. São esses hipotéticos óculos que nos fazem enxergar nossa realidade desse ou daquele jeito. Se esses óculos não estiverem certos podemos enxergar as coisas maiores ou menores do que são, mais coloridas ou mais cinzentas, mais distorcidas ou fora de foco. Tratar da Afetividade significa regular os óculos através dos quais vemos nosso mundo.
Porque uma pessoa portadora de Síndrome do Pânico pensa que pode morrer ou passar mal de repente? Porque ela acha que sofre do coração, ou está prestes a ter algum derrame, ou que está tão descontrolada ao ponto de perder o controle. Ora, nada disso faz parte da realidade objetiva e concreta. Trata-se de um juízo pessimista, uma avaliação negativa que a pessoa faz de si mesma, ou seja, trata-se de uma Afetividade que representa negativamente para a própria pessoa o seu próprio eu. Se a pessoa está se vendo pior do que é de fato, então afetivamente não está bem.
A Depressão Típica, por sua vez, também faz com que a pessoa se sinta e se ache pior do que realmente é. Isso produz insegurança e rebaixa a auto-estima. Novamente aqui a Afetividade representa negativamente a pessoa para si mesma. A avaliação negativa de si mesmo, achar que a vida não vale a pena, que a realidade é sofrível, sentir medo exagerado, achar-se doente e toda sorte de pensamentos ruins resultam do Afeto alterado.
Resumindo essa questão da Afetividade vejamos um exemplo ilustrativo. Vamos nos imaginar em meio à uma briga de rua. Nosso medo (ou ansiedade) será diretamente proporcional ao tamanho de nosso adversário; quanto maior nosso adversário maior o medo. E como avaliamos o tamanho de nosso adversário? Seu tamanho será avaliado sempre em comparação ao nosso próprio tamanho, pois, nosso único parâmetro de comparação sera sempre nós mesmos.
Não importa nosso adversário ser maior ou menor que uma outra pessoa qualquer, importa apenas ser maior ou menor que nós. E como sabemos exatamente nosso próprio tamanho? Quem diz se somos grandes ou pequenos, fortes ou fracos, espertos ou não, superiores ou não ao adversário será nossa Afetividade, esse apetrecho psíquico que dá valor à tudo em nossa vida e, principalmente, nos dá o valor de nós mesmos.
Se uma Afetividade alterada fizer pensar em nós mesmos como pequenos, fracos, pouco espertos e piores, então teremos medo em lutar até com uma criança. Nos amedrontaremos e sentiremos muita ansiedade diante de tudo na vida; diante das multidões, dos ambientes fechados, de viajarmos sozinhos, da solidão, da idéia de estarmos doentes, e assim por diante.


(Ballone GJ - Afetividade)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PEDAÇO DE MIM







Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar


Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais


Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu


Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi


Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus



(Composição: Chico Buarque)


domingo, 16 de outubro de 2011

ACEITAR AS PESSOAS






Ouvi dois amigos conversando e um deles se queixava da incompreensão das pessoas, das agressões verbais, dos desentendimentos. Isto o revoltava e ele dizia invejar a serenidade e o equilíbrio do interlocutor.


- Qual é o segredo? perguntou.


- Não existe segredo, mas somente paixão pela vida e esforços contínuos para aprender, respondeu o outro.


- Aprender o que?


- A aceitar as pessoas, mesmo que ela nos desapontem, quando não aceitam os ideais que escolhemos. Quando nos agridem e nos ferem com palavras e atitudes impensadas.


- Mas é muito difícil aceitar pessoas assim.


- É verdade. É difícil aceitá-las como elas são e não como gostaríamos que elas fossem. Mas qual é o nosso direito de mudá-las?


- E como você consegue?


- Estou aprendendo a amar. Estou aprendendo a escutar, mas não apenas com os ouvidos, também com os olhos, com o coração, com a alma, com todos os sentidos. Muitas vezes as pessoas não falam com palavras, mas com a postura. Fique atento para os que falam com os ombros caídos, os olhos e as mãos irrequietas.


Assim como você pode ler as entrelinhas de um texto, pode ouvir coisas entre as frases de uma conversa corriqueira, banal, que somente o coração pode ouvir. Não raro, há angústia e desespero disfarçados, insegurança escondida em palavras ásperas, solidão fantasiada na tagarelice. Aos poucos estou aprendendo a amar, e amando estou aprendendo a perdoar. Perdoando, apago as mágoas e curo as feridas, sem deixar cicatrizes nos corações magoados e tristes. Aprendo com a vida o valor de cada vida e procuro entender os rejeitados, os incompreendidos. Nem sempre consigo, mas estou tentando.




Amilcar Del Chiaro Filho no livro "A Minha Paz Vos Dou..."


     

quinta-feira, 13 de outubro de 2011


MANEIRAS DE VER






Onde você vê um obstáculo, alguém vê o término da viagem e o outro vê uma chance de crescer.


Onde você vê um motivo pra se irritar,  alguém vê a tragédia total e o outro vê uma prova para sua paciência.


Onde você vê a morte, alguém vê o fim e o outro vê o começo de uma nova etapa.


Onde você vê a fortuna, alguém vê a riqueza material e o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.


Onde você vê a teimosia, alguém vê a ignorância, um outro compreende as limitações do companheiro, percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo e que é inútil querer apressar o passo do outro, a não ser que ele deseje isso.


Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar. Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura. 




(Fernando Pessoa)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

 IDENTIFICANDO OS SENTIMENTOS E A VIVÊNCIA DA DOR







Estava conversando por e-mail com uma amiga  que me disse que pouco troca experiências com mães que perderam filhos. E que as pessoas sempre lhe falam em ser forte, que vai passar, o tempo cura, e tudo o mais.
E me perguntando se já me falaram para lembrar dos momentos felizes que passei junto com a Ana Cláudia. De que valeu a pena ter vivido com a Ana Cláudia durante o tempo que ela esteve junto conosco. De que, se eu tivesse que escolher: - ter vivido sem tê-la ou ter vivido com ela apenas por tão pouco tempo, mas que foi intenso. O que eu preferiria? Qual o meu sentimento ou reflexão quanto as pessoas que falaram sobre isso comigo.
E me perguntou ainda: -Será que as pessoas que falam isso é porque não são mães, ou que não perderam filhos, ou que não amam ou amaram seus filhos o suficiente para se sentirem tão despedaçadas. Será que perder um filho seria o mesmo que perder pai, mãe, irmão, mesmo os amando muito?
E me dizendo que para ela isso tudo é muito conflitante.
Então eu lhe respondi o seguinte:


- As palavras das pessoas nos dizendo para sermos fortes e que vai passar. É UTOPIA.
 As feridas no peito estão aqui, não se fecham, não cicatrizam, são só amenizadas por esse "tempo" que todos insistem em nos falar. Não sei se felizmente ou infelizmente tenho sentido isso, que só mesmo o tempo vai amenizando tanta dor. Como já citei em um texto anterior, como gotas homeopáticas.
A minha experiência de vida é que foi alterada, antes eram tantos planos, tantos sonhos, tantas vontades, agora, é uma tristeza que não tem fim. Os dias estão passando, o mundo lá fora continua girando, pessoas indo e vindo, mas vivo do meu passado. Estou empurrando com a barriga (como diz o ditado), tenho outra filha e um marido que tenho que dar atenção, carinho e amor, mas não é fácil, nada fácil dar seqüência em uma família amputada de um ser integrante e tão radiante.
O que tem me ajudado a enfrentar esses dias são minhas amigas, as quais também perderam seus filhos, é com elas que eu divido minha tristeza e elas me compreendem assim como eu as compreendo.
 É uma forma que temos de verbalizar nossos sentimentos, colocando tudo para fora o que nos dói o que nos incomoda desses tipos de comentários ou qualquer outro assunto que nos perturbe. 
Realmente tivemos filhos espetaculares, o nosso desejo maior é de que ainda estivessem aqui conosco e que nós fossemos embora antes deles, esta é a ordem cronológica da vida.
Hoje vivemos outra realidade que não queremos para nós, ela nos foi imposta pela vida, nosso futuro, não sabemos, e eu nem quero saber, sempre digo para as pessoas que vêem me perguntar: 
- O que você vai fazer no Natal, no Ano Novo? Então eu digo: 
- Não sei, penso no máximo do máximo com um semana de antecedência, pois tudo o que eu imaginava para mais adiante foi por água abaixo. 
Os conflitos que hoje ela vive eram os meus também.
 As pessoas que nos falam tais coisas é que não sentiram a dor da perda de um filho, vivem uma outra realidade e amam seus filhos da forma que sabem amá-los, sem pensar na possibilidade de perdê-los. Era como viviamos também, sem termos noção da dor que outras mães já haviam passado e que hoje fazem parte de nossas vidas.
 O que mais vale hoje é o que está dentro de mim, o meu sentimento, o meu amor e a minha dor, a qual só eu sei o tamanho e como enfrentá-la e suportá-la. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011


A FELICIDADE ÁS VEZES É UMA BENÇÃO, 
MAS GERALMENTE É UMA CONQUISTA.






                                                 A VIDA


Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade. Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga... Aí sim... a vida de verdade começaria.


Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade. Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho, para a felicidade.  A felicidade é o caminho! Assim, aproveite todos os momentos que você tem.


E aproveite-os mais, se você tem alguém especial para compartilhar. Especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém. Pare de esperar até que você termine a faculdade;


Até que você volte para a faculdade;
até que você perca 5 quilos;
até que você ganhe 5 quilos;
até que você tenha tido filhos;
até que seus filhos tenham saído de casa;
até que você se case;
até que você se divorcie;
até sexta à noite;
até segunda de manhã;
até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
até o próximo verão, outono, inverno;
até que você esteja aposentado;
até que a sua música toque;
até que você tenha terminado seu drink;
até que você esteja sóbrio de novo;
até que você morra;


E decida que não há hora melhor para ser feliz do que AGORA MESMO... Lembre-se:  Felicidade é uma viagem, não um destino.


(Henfil)

terça-feira, 27 de setembro de 2011


COMO SABERMOS SE A VIDA É CURTA OU LONGA PARA NÓS?




Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser: 
Colo que acolhe,
Braço que envolve, 
Palavra que conforta, 
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia, 
Lágrima que corre, 
Olhar que acaricia, 
Desejo que sacia, 
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo. 
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais.
Mas que seja intensa, verdadeira e pura enquanto durar.

“Feliz aquele que transfere o que sabe... ... e aprende o que ensina.”

(Não Sei - Cora Coralina)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011


NOSSA BAGAGEM





Quando nossa vida começa, temos apenas uma mala pequenina de mão...
A medida em que os anos vão passando, a bagagem vai aumentando porque existem muitas coisas que  recolhemos pelo nosso caminho, por pensarmos que são importantes ...

A um determinado ponto do caminho começa a ficar insuportável carregar tantas coisas, pesa demais, então podemos escolher: 

-Ficarmos sentados a beira do caminho, esperando que alguém nos ajude, o que é difícil, pois todos que passarem por ali já terão sua própria bagagem.
Poderemos ficar a vida inteira esperando, até que nossos dias acabem...

-Ou  poderemos aliviar o peso, esvaziando a mala.

Mas, o que tirar?

 Começaremos tirando tudo para fora... vendo o que tem dentro: 

Amor, Amizade...nossa! Tem bastante, curioso, não pesa nada...
Tem algo pesado... você faz força para tirar... era a Raiva - Como ela pesa!

Aí  começamos a tirar, tirar e aparecem:
A Incompreensão, Medo, Pessimismo... nesse momento, o Desânimo quase nos puxa pra dentro da mala...
Mas  puxamo-lo para fora com toda a força, e no fundo da mala aparece um Sorriso, 
Que estava sufocado no fundo da bagagem...
Pula para fora outro sorriso e mais outro, e aí sai a Felicidade...

Aí  colocamos as mãos dentro da mala de novo tirando pra fora um monte de Tristeza...
Agora, teremos que procurar a Paciência dentro da mala, pois vai precisar, e bastante...

Procuramos então o resto: 
A Força, Esperança, Coragem, Entusiasmo, Equilíbrio, Responsabilidade, Tolerância e o Bom e Velho Humor. 
Tiremos a Preocupação também. Deixemos de lado, depois  pensaremos o que fazer com ela...

Bem, nossa bagagem está pronta para ser arrumada novamente na mala.
Mas, pensemos bem o que iremos colocar dentro dela de novo, heim.

E QUE AGORA É SABIDO QUE:

NÃO PODEREMOS NOS ESQUECER DE FAZER ESSA  ARRUMAÇÃO MAIS VEZES, POIS O CAMINHO É MUITO LONGO, LONGO MESMO, E NOSSA BAGAGEM, PODERÁ PESAR NOVAMENTE.

(MAKTUB - MODIFICADO POR LIANE TABORDA CARON)

   

terça-feira, 20 de setembro de 2011

EM SILÊNCIO






Quando a maldade do mundo te atingir a alma, antes de reagires, procura a alta e solitária montanha da fé e refugia-te nos abençoados bosques da meditação entre rochedos de sarça longe das vozes...
Ainda que o céu esteja escuro e o chicote da aflição, como vento vingador, açoite teus pensamentos, procura encontrar os caminhos da prece e, solitário, abandonado à meditação, defrontará, por fim, rios de margens floridas, céus coroados de sol e campos matizados de vegetação luxuriante onde a beleza em tudo reponta.
Readquirirá forças para o retorno aos homens.
Feliz, descerá à liça, alegre e jovial, respondendo ao ultraje com o perdão e à ofensa com o silêncio, ligado ao céu doirado e azul onde fulgura o sol da vida, porque o mal não merece a tua aflição.


(Página recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco em Salvador-BA.)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

NOSSA SEPARAÇÃO É TEMPORÁRIA





Crença e Saudade


Desde a antiguidade, a maioria dos povos de todas as regiões do globo,com culturas e  religiões diferentes, acreditaram e acreditam na imortalidade da alma ou espírito e na existência de um Deus ou “Ser Superior”. Isto é quase que uma intuição que nascemos com ela. 
 Um Ser com Amor Incondicional e Sabedoria, Perfeito e Justo, não castiga as pessoas, mas sempre quer o seu bem, sua evolução, mesmo que muitos de nós ainda não tenhamos a capacidade para entender o porquê de muitos acontecimentos.
 Hoje, mais do que nunca, temos tido provas da imortalidade do espírito e de que tudo na vida tem um propósito positivo e que nada acontece por acaso.
 Mesmo que não seja religioso, esta crença traz consolo. Pensar que a pessoa não acabou, mas apenas deixou seu corpo e transferiu-se para um tipo de vida diferente, em outro plano, faz com que as pessoas sintam-se melhor diante da perda; e significará que a  separação é temporária, não definitiva.


É importante saber que pudemos desfrutar da companhia de algumas pessoas especiais, mesmo que por breve tempo,  que nos deixam muita saudade...Só se tem saudade das pessoas ou daquilo que foi muito bom..


(Maria José G. S. Nery - Psicóloga)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

UMA SINGELA HOMENAGEM A MINHA MÃE




Amor de Mãe


Uma criança pronta para nascer perguntou a Deus:
- Dizem-me que estarei sendo enviado à terra amanhã... 
Como vou viver lá, sendo assim pequeno e indefeso?


E Deus disse:
- Entre muitos anjos, eu escolhi um especial para você. 
Estará lhe esperando e tomará conta de você.


Criança:
- Mas diga-me: Aqui no Céu eu não faço nada a não ser cantar e sorrir, o que é suficiente para que eu seja feliz. Serei feliz lá?


Deus:
- Seu anjo cantará e sorrirá para você... a cada dia, a cada instante, você sentirá o amor do seu anjo e será feliz.


Criança:
- Como poderei entender quando falarem comigo, se eu não conheço a língua que as pessoas falam?


Deus:
- Com muita paciência e carinho, seu anjo lhe ensinará a falar.


Criança:
- E o que farei quando eu quiser Te falar?


Deus:
- Seu anjo juntará suas mãos e lhe ensinará a rezar.


Criança:
- Eu ouvi que na Terra há homens maus. Quem me protegerá?


Deus:
- Seu anjo lhe defenderá mesmo que signifique arriscar sua própria vida.


Criança:
- Mas eu serei sempre triste porque eu não Te verei mais.


Deus:
- Seu anjo sempre lhe falará sobre Mim, lhe ensinará a maneira 
de vir a Mim, e eu estarei sempre dentro de você.


Nesse momento havia muita paz no céu, mas as vozes da terra já podiam ser ouvidas. A criança apressada, pediu suavemente:
Oh Deus se eu estiver a ponto de ir agora, diga-me por favor, o nome do meu anjo.


E Deus respondeu:
- Você chamará seu anjo... MÃE!


Maktub
1489

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O RAIO CAIU NO MESMO LUGAR







O RAIO CAIU NO MESMO LUGAR




Esta semana senti que o raio pode cair sim em um mesmo lugar, ou talvez eu deva dizer: NO MESMO LAR.
Meu irmão mais novo com 42 anos e 2 meses de idade partiu quase que da mesma forma da minha querida e amada filha Ana Cláudia.
E em cada "meus pêsames", "meus sentimentos" o recordar da dor como se fosse de um punhal atingindo o peito.
E quando me vi mais uma vez em uma "Capela Mortuária" divagando com os mesmos pensamentos do passado, a culpa de não ter dito: "eu te amo", "se você precisar estarei sempre aqui", ou "se eu tivesse feito assim ou isso", "porque que eu não fiz isso ou aquilo", enfim as dúvidas dos "ses e porques" que veêm no pensamento e você se condena culpada por não ter dito ou feito.
Tenho aprendido que a resposta para todas essas perguntas e questionamentos é com certeza o tempo. Mas quando me falaram isso pela primeira vez, achei isso absurdo e fiquei indignada mas realmente com o passar do "Tempo" as feridas no peito quase se fecham mas não acabam, são apenas amenizadas mas ainda estão ali. O Tempo é o remédio que consumimos como se fossem gotas homeopáticas que aos poucos nos trazem o consolo, as lembranças dos bons momentos, as saudades...
Hoje me sinto novamente com a ferida aberta necessitando dessas doses homeopáticas para cicatrizá-las.
Sofro mais ainda por ver minha mãe com 80 anos de idade passando por tudo o que passei e me dizendo: "Filha eu apenas tinha noção da dor pela qual você passou com a Ana Cláudia, mas agora eu à sinto tal qual como você sentiu. E dói, dói muito..."
Trocamos dores, sentimentos, lágrimas, enfim tudo o que temos direito nesse momento.
Amamos tanto que ao perdermos alguém esquecemos que a vida tem início, meio e fim e que não seguimos uma ordem cronológica para o caminho da morte e que existe um ser superior chamado "DEUS" que nos guia, nos ama e nos direciona e que ainda estamos longe de entender os seus desígnios.
TE AMO MEU IRMÃO, ESTEJA COM DEUS.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

FELIZ ANIVERSÁRIO ANA CLÁUDIA, ONDE QUER QUE ESTEJAS.








Digna-te, ó meu DEUS, de acolher, benévolo, a prece que te dirijo pelo Espírito de minha filha Ana Cláudia. 
Faze-lhe entrever as claridades divinas e torna-lhe fácil o caminho da felicidade eterna.
 Permite que os bons Espíritos lhe levem as minhas palavras e o meu pensamento.
Tú, que tão cara me eras neste mundo, escuta a minha voz, que te chama para oferecer novo penhor da minha afeição
 e do meu amor por você.


 Permitiu Deus que te libertasses antes de mim e eu disso me não poderia queixar sem egoísmo,
 porquanto fora querer-te sujeita ainda às penas e sofrimentos da vida. 
Espero, pois, resignada, o momento de nos reunirmos de novo no mundo mais venturoso no qual me precedeste.
Sei que é apenas temporária a nossa separação e que, por mais longa que me possa parecer, 
a sua duração nada é em face da ditosa eternidade que Deus promete aos seus escolhidos. 
Que a sua bondade me preserve de fazer o que quer que retarde esse desejado instante
 e me poupe assim à dor de te não encontrar, ao sair do meu cativeiro terreno.


Oh! quão doce e consoladora é a certeza de que não há entre nós mais do que um véu material
 que te oculta às minhas vistas! de que podes estar aqui, ao meu lado, a me ver e ouvir como outrora,
 senão ainda melhor do que outrora: de que não me esqueces, do mesmo modo que eu te não esqueço: 
de que os nossos pensamentos constantemente se entrecruzam e que o teu sempre me acompanha e ampara.
Que a paz do Senhor seja contigo.
Te Amo minha filha. Te Amo Ana Cláudia.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

NOSSAS ATITUDES





                       AS IMPRESSÕES QUE DEIXAMOS



Quando mais jovem, por causa de meu caráter impulsivo, tinha raiva e na menor provocação, explodia magoando meus amigos.Na maioria das vezes, depois de um desses incidentes me sentia envergonhado e me esforçava por consolar a quem tinha magoado.Um dia, meu professor me viu pedindo desculpas depois de uma explosão de raiva, e me entregou uma folha de papel lisa e dizendo:
- Amasse-a!
Com medo, obedeci e fiz com ela uma bolinha.
- Agora -voltou a dizer-me- deixe-a como estava antes.
É obvio que não pude deixá-la como antes. Por mais que tentei, o papel ficou cheio de pregas. Então, disse-me o professor:
- O coração das pessoas é como esse papel...a impressão que neles deixamos será tão difícil de apagar como esses amassados.
Assim aprendi a ser mais compreensivo e mais paciente. Quando sinto vontade de estourar, lembro deste papel amassado.A impressão que deixamos nas pessoas é impossível de apagar. Quando magoamos com nossas ações ou com nossas palavras, logo queremos consertar o erro, mas muitas vezes é tarde demais. Alguém disse, certa vez:


"Fale quando tuas palavras sejam tão suaves como o silêncio"


(Autor desconhecido)





sexta-feira, 2 de setembro de 2011

ENFRENTANDO UMA GRANDE PERDA

ENFRENTANDO UMA GRANDE PERDA








Muitas situações na vida nos trazem a sensação de um mal irreparável, geralmente envolvendo perdas ou grandes mudanças: doenças, morte de alguém, mudança de cidade, de emprego, condição social, separação, perda de um sonho ou ideal e outras. As situações mais dolorosas referem-se à perda de um ente querido.


As pessoas ficam com a sensação de terem sido roubadas em algo a que tinham direito. Passam por um processo doloroso que envolve sofrimento, medo, revolta, raiva, culpa, depressão, isolamento, desinteresse pelas atividades costumeiras ou excesso de atividades (fuga); apresentam sintomas físicos e psicológicos de estresse, podendo até vir a adoecer.


O tempo requerido para o “luto” (fase de maior sofrimento) e a maneira de vivê-lo depende muito das circunstâncias da perda, o significado desta para a pessoa, seu modo particular de lidar com situações de crise, apoio disponível no seu meio familiar e social, como a comunidade onde vive encara esta perda, suas próprias crenças e outros aspectos.


A recuperação de uma perda significativa leva de alguns meses a dois anos e, mesmo aí, alguns aspectos podem continuar não muito bem resolvidos.


Mas, além da tristeza, as situações dolorosas podem fazer com que descubramos em nós mesmos forças antes desconhecidas, faz com que repensemos nossas vidas e nossos valores, passando a perceber o que realmente é importante e o que é supérfluo, e podem nos transformar em pessoas mais ricas espiritual e emocionalmente.
Apesar das pessoas sentirem e reagirem diferentemente, existem pontos em comum nas situações de perda, quando geralmente  passam por fases semelhantes. Quando descobrem que estão com uma doença grave ou isto acontece com uma pessoa muito próxima, a morte inesperada de alguém que amam, ou com quase todos os outros tipos de perda, primeiro passam pelo estágio de choque e negação, não querendo acreditar na realidade. Depois vem a fase da raiva, revolta (contra tudo, todos e até contra Deus) e muita mágoa. Mais tarde passam a negociar com Deus e com a vida, tentando fazer trocas e promessas; depois ficam deprimidos, perguntando-se “por que eu?”, “por que ele(ou ela)?”ou “por que comigo(ou conosco)?”.


A seguir a tendência é retrairem-se por algum tempo, afastando-se dos outros, enquanto buscam alcançar um estado de entendimento, paz, aceitação; de aceitar aquilo que não pode ser mudado.(E. Kubler-Ross). Muitos param em determinada fase e não vão adiante na superação da perda que já aconteceu ou, no caso de doença, vai ocorrer; alguns pulam de uma fase para outra, podendo retornar à fases anteriores;  outros caminham para a superação. Isto vai depender muito do suporte que recebem do meio, dos amigos, de terapeutas ou orientadores; do entendimento que têm sobre a vida e sua finalidade, de suas crenças filosóficas e/ ou religiosas e outros aspectos. 


A Dra Ross estudou também 20 mil casos de pessoas de várias culturas que passaram por experiências de quase morte(EQM), e notou muita semelhança no que percebem naqueles momentos de “morte”, as vivências e sensações são agradáveis e os pacientes percebem que na realidade a morte não existe, é uma passagem para um plano de vida diferente, como a borboleta que deixa o casulo.Se começarmos a ver a vida de maneira diferente, com maior entendimento, veremos que a morte jamais deve representar sofrimento, mas uma continuação da vida e da evolução.


Maria José G. S Nery- Psicóloga Clínica


Psicoterapia Cognitiva, Transpessoal e Regressiva


quinta-feira, 1 de setembro de 2011


A COR DA LÁGRIMA

Por que a lágrima não tem cor?
Enquanto chorava, me pus a pensar.
Se fosse vermelha como sangue, 
as minhas vestes poderiam manchar.
      
Se a lágrima fosse amarela,
a cor da alegria, expressar tristeza jamais poderia.
      
Se fosse azul,
a cor da serenidade,
eu não choraria jamais.
Seria só tranqüilidade.
      
Se fosse branca
como pétalas de rosas,
não seriam lágrimas...
Mas pérolas preciosas.
      
Ainda mais uma vez
fiquei me questionando...
Por que a lágrima não tem cor?
Se ela fosse preta,
só expressaria o horror?
      
Por que será que a lágrima não tem cor?
A lágrima não tem cor...
Porque nem sempre exprime dor.
      
E se ela fosse roxa, como poderia
expressar a alegria?
      
As lágrimas não têm cor
porque são expressões da alma.
Quando o espírito está chorando,
o coração diz: tenha calma!
      
Se a lágrima tivesse cor
deveria ter a cor do amor.
Ou mesmo a cor da paixão,
que às vezes invade o coração.
      
Ou talvez a cor da tristeza
que abala a alma e tira a calma,
mas faz em meu ser uma limpeza.
      
A lágrima não tem cor,
porque ela nos aproxima do nosso Criador.
Se a lágrima tivesse cor,
eu só iria chorar de alegria.
      
Mas, e a lágrima da saudade?
De que cor ela seria?
E a lágrima da decepção,
de que cor seria então?
     
Se a lágrima tivesse cor
deveria ter a cor de um brilhante.
Como a lágrima é preciosa,
Deus deu-lhe a cor do diamante.
        
(Autor:Wayne W. Dyer)  


segunda-feira, 29 de agosto de 2011


"RESTA-NOS O MOVIMENTO QUE TRANSFORMA A DOR EM SAUDADE".












“Uma amiga perdeu a mãe, de repente. A notícia me alcançou por e-mail, agora que a internet deixou o mundo pequeno. Estou longe, mas também aqui, neste lugar sem distância que é o mundo virtual. Mas com tempo veloz, em que uma hora pode ser um pretérito definitivo na disputa pela supremacia dos segundos. Como era antes, quando as notícias levavam meses para chegar e o mundo sobre o qual falavam já tinha inteiro se transmutado, quando as cartas eram sempre um retrato do passado? Agora tudo é agora. E os tempos se confundem de outro modo. Mas se confundem.
Senti tanto o desamparo da minha amiga, porque sei que as mães não deveriam morrer. Na mesma noite sonhei com meus mortos. Meu avô sentava-se com minha avó ao redor da mesa da cozinha como antes e como nunca, porque meu avô sabia que minha avó tinha morrido e eu sabia que meu avô tinha morrido uns 20 anos depois dela. E uma quarta pessoa, desconhecida de todos nós reunidos naquela cozinha, sabia que eu também já tinha morrido, numa outra época que ainda não chegou para mim. Mas comíamos bolinhos de chuva naquela mesa porque compreendíamos que, no curto espaço de existência, neste soluço entre o nascimento e a morte que pertence a cada um de nós, nem os sonhos devem ser desperdiçados. E ali, enquanto eu dormia num quarto de hotel, éramos uma impossibilidade lógica que conversava e que ria.
Quando perdemos alguém que amamos, a dor é tão extravagante que nos come vivos, como se fosse uma daquelas formigas africanas que vemos nos documentários da National Geographic. A dor está lá quando acordamos. Continua lá quando respiramos. Nos espreita do espelho diante do qual escovamos os dentes pela manhã com um braço que pesa uma tonelada. E, quando por um instante nos distraímos, crava seus dentes bem no coração. Neste longo momento depois da perda, sabemos mais dos buracos negros do que os astrônomos porque carregamos um dentro de nós. E arrancamos cada dia nosso do interior de sua boca ávida, com uma força que não temos, para que não nos sugue de dentro para dentro.
Devagar, bem devagar, muito mais devagar do que o mundo lá fora nos exige, o vazio vai virando uma outra coisa. Uma que nos permite viver. Descobrimos que nossos mortos nos habitam, fazem parte de nós, correm em nossas veias fundidos a hemácias e leucócitos. Que suas histórias estão misturadas com as nossas, que seus desejos se deixaram em nós. Que, de certo modo, somos muita gente, multidão. Como também nós seremos em muita gente, deixando, em cada um, ecos de diferentes decibéis e intensidades. Acolhemos então aquele que nos falta de uma forma que nunca mais nos deixará. Como saudade. E como saudade não poderá mais partir.
Somada, a vida humana é um rio barulhento de memórias no leito do tempo. Enquanto outras espécies sabem, sem que ninguém tenha ensinado, que precisam voar para o sul para não sucumbir no inverno ou que devem escalar dezenas de metros de uma árvore em busca da fêmea para se acasalar num momento preciso, nós perpetuamos lembranças. Não é uma intuição prática, no sentido ordinário do termo. Mas é tão vital quanto o acasalamento ou a fuga do inverno.
Assim como a natureza tece mil expedientes para perpetuar seus genes, pertençam eles a um chimpanzé ou a uma mosca; nós, cuja diferença evolutiva nos permitiu inventar a cultura e ser na cultura, perpetuamos a vida através da memória. Já que, para nós, não há vida sem a consciência da vida. Transmitimos as histórias, o conhecimento e os sentimentos dos que se foram, tanto como humanidade quanto como indivíduo, como se fossem parte de um DNA imaterial. Do contrário, seria impossível conviver com o privilégio de nossa espécie, a consciência do fim.
Quem não entende isso acha que, quando doamos as roupas e os objetos de quem amamos e se foi ou deixamos de chorar no cemitério, superamos a perda. Não acredito que exista superação no sentido do esquecimento. O que acontece é que compreendemos que aquela pessoa não estará mais no mundo externo, não pertence mais a ele. Mas também não é mais um vazio que grita como nos primeiros meses, às vezes anos. Ela agora mora no mundo de dentro, vive como memória nossa, em nós. E assim não está mais morta, mas viva de um outro jeito. É o que me ensina João, o homem que divide comigo a aventura arriscada de viver. De luto por sua própria mãe, percebo que a carrega nos olhos quando se maravilha com a novidade do mundo.
Ele me ensina que a vida dos mortos em nós não é possessão nem fantasma. Nem é morte. O mórbido é quando não conseguimos dar um lugar vivo para o morto. Então a memória fica pregada naquele momento de horror e a vida se torna impossível, porque a existência não é água parada, mas rio que corre. Acontece quando alguém, pelos mais variados motivos, não consegue fazer o luto e dar um lugar de saudade para a dor. Quando nos fixamos, num dogma ou numa falta, partes importantes de nós gangrenam. Mas quando os mortos se acomodam em nós como lembrança que muda segundo o viver de quem vive, tudo flui. Se há algo que a vida é em essência é movimento. E o luto é um movimento que reabre as portas para a vida ao romper com a rigidez da morte em nós. Por isso, para o luto não pode haver pressa, porque é grande e largo o gesto que temos de fazer acima e apesar do horror que nos atinge até mesmo em partes que nem sabíamos que existiam.
Quando perdeu a mãe, João compreendeu por completo a poesia que Carlos Drummond de Andrade escreveu para a poeta Ana Cristina Cesar, que se suicidou aos 31 anos atirando-se pela janela do 13° andar. Ela fala da diferença entre falta e ausência. Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim. É isso. A ausência não é falta. Ou, dito de outro modo, a falta nos come vivos. A ausência, por paradoxal que pareça, nos preenche.
Há um filme de extraordinária beleza sobre a perda, a saudade e o lugar dos mortos em nós. Chama-se Hanami Cerejeiras em flor (Doris Dörrie, 2008 Alemanha/França). Passou nos cinemas, ainda resiste numa sala ou outra, mas já assisti ao filme na TV por assinatura. Se você encontrar este nome na programação, não deixe de ver. Feche as cortinas, proteja-se do barulho da rua, programe-se para algo especial. O filme conta a história de um homem que não gosta de sair da rotina em sua viagem mais longa e menos previsível. Ele parte em busca de sua mulher e só a encontra quando descobre que ela está dentro dele, nos gestos dele, no corpo e nos olhos que ele empresta a ela. É um filme sobre a morte que nos leva ao único lugar onde vale a pena chegar, à vida.
Quando sofremos uma grande perda ou somos abalroados por uma catástrofe pessoal de outro gênero, as pessoas dizem, para nos consolar e com as melhores intenções, que tudo passa. Acho que, na verdade, nada passa. A frase mais precisa seria que tudo muda. Também nós que aqui estamos como matéria um dia seremos apenas eco. Tanto pelas nossas células que alimentam e se agregam a outros seres vivos a partir da decomposição de nosso corpo como pelas histórias que transmitimos e permanecem além de nós. Aquela que fui ontem já mudou, a ruga que há um ano não existia agora é visível na pálpebra direita, minha percepção do mundo não é mais exatamente a mesma do mês passado, alterada por novas experiências que me alargaram. De certo modo, nascemos e morremos tantas vezes até o fim da vida. E é este o movimento que importa.
Queria dizer isso à amiga que perdeu a mãe de repente. Mas agora minha amiga ouve, mas não pode escutar. A dor a está comendo viva como as formigas africanas. Tudo é horror e absoluto. Mas com o tempo, um período só dela e que não pode ser determinado em parte alguma nem por ninguém, minha amiga vai começar a perceber que a mãe é uma ausência presente no formato das suas unhas, num certo jeito de mexer a cabeça quando fala, na tonalidade rara dos olhos. Está nas palavras e nas histórias que conversam dentro dela, na mitologia familiar que se perpetua, nos sons da memória. E então poderá reencontrar a mãe dentro dela. E levá-la para passear.
E, num dia que sempre chega, viverão as duas como história, como cacos de lembranças encaixados em diferentes rearranjos de vitrais, na vida dos que vieram depois. É pouco, talvez. É tudo o que temos.”


(Texto Escrito Por: ELIANE BRUM)