quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A DOR DE QUEM FICA E A DOR DE QUEM SE FOI


Uma das maiores dores que podem atingir a um coração na Terra é a separação de pessoas que se amam. É humano sofrer com a morte física de alguém. É necessário, no entanto, que não se faça do fim natural a que chega a vida física, um palco de revolta contra Deus. A vida física tem seu início, meio e fim. Término esse que todos sabem que um dia chegará. Por que não se preparar? Não a esperando para qualquer momento, mas se conscientizando de que nada na vida lhes pertence, posto que "são depositários e não proprietários".


Apegam-se às pessoas, tornando-se delas donas, razão pela qual chega a revolta da separação. Como alguém que é meu me pode ser tirado, sem o meu consentimento?


A saudade fará com que suas lágrimas caiam para sempre, diminuindo com o tempo, mas estarão sempre em sua face. Mas, creia, o dia do reencontro chegará. Aguarde com confiança e sem qualquer precipitação. Não chantageie a vida se entregando à autodestruição, isto só o levará a se afastar mais e mais das vibrações de refazimento e reequilíbrio.


Não retenha quem se foi além do necessário para que tenha boas recordações. Desfaça-se dos excessos de correntes que podem aprisionar o seu amor ao seu lado. A vida dele prosseguirá em outras paragens, não mais na que você se encontra. Não o chame para ajudá-lo diante das suas dificuldades de vida. Elas são suas.


Deus não é cruel. Jamais o faria reencontrar ou encontrar um amor para depois o lançar fora de sua vida, eternamente. Seu sofrimento não é o maior do mundo, portanto não agrida a quem quer que seja com a justificativa de que o seu coração está de luto.


Alguém partiu, não faça com que os outros partam também, afastando-se de sua companhia. Ore, pedindo pela paz do que se foi, lembrando-se que ele também sofre a saudade da separação. Mas em suas preces nunca se esqueça de dizer: "Vá adiante amor, aqui ficaremos bem e, quando Deus assim quiser, nós nos veremos..."


Assinado : Carlos Murion


Local: "Centro Espírita Cavaleiros da Luz" - Salvador (BA)
Médium : José Medrado (do livro "Construção Interior")

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

ACEITAR A MORTE NÃO SIGNIFICA DESISTIR DA VIDA





Semana passada fui surpreendida com um comentário de uma paciente com câncer ao me dizer: Você está me fazendo sentir vontade de viver, mas eu não devia sentir mais apego pela vida, devia aceitar a morte! Seu desabafo nos levou a uma longa conversa sobre a importância de compreender que para aceitar a morte não precisamos desistir da vida. 


Intelectualmente pode não ser tão difícil compreender que para aceitarmos a vida temos de aceitar a morte. Mas, por que emocionalmente rejeitamos essa premissa? Porque não nos sentimos preparados para deixar algo se ainda nos sentimos carentes dele! Ou seja, exatamente porque sentimos falta de vida em nossa vida é que não nos sentimos preparados para deixá-la! 


Pode parecer um paradoxo, mas são justamente as pessoas que estão cheias de vida que demonstram paz quando estão enfrentando sua própria morte. Estar ao lado delas é em si uma experiência gratificante, pois, até mesmo quando não podem mais falar, nos transmitem mensagens de fé e serenidade. As pessoas à sua volta passam a falar por elas, lembrando de como souberam valorizar a vida! 


Podemos não querer falar sobre a morte e, muito menos, sentir sua presença em nossas vidas. No entanto, catástrofes como das ondas Tsunamis no Oriente nos despertam um sentimento de urgência em compreender a morte para não perdemos a fé na vida: intuitivamente sabemos que enquanto separarmos a vida da morte estaremos presos ao medo de viver ambas experiências. 


O que significa aceitar? A aceitação é o resultado de um acordo, no qual nos tornamos receptivos a algo. Isto é, aceitamos algo quando amadurece em nosso interior a confiança: não há mais luta, apenas abertura, pois todas as nossas resistências foram abandonadas. 


Segundo a psicologia budista, aceitamos nos desapegar de algo quando estamos realmente satisfeitos. Por isso, quando amamos ou nos sentimos profundamente amados por alguém, aceitamos até mesmo nos desapegar desta pessoa ou situação: pois estamos bem estocados deste amor dentro de nós. As pessoas que aceitam morrer são aquelas que estão satisfeitas com suas vidas! 


Desapego, neste sentido, significa estar nutrido de amor espiritual. 
Todos nós já sentimos essa forma elevada de amor quando desejamos que a pessoa amada seja realmente feliz: com ou sem a nossa presença. No entanto, em geral, nosso amor é mais emocional que espiritual: amamos na carência, isto é, nos alimentamos do sentimento de que amar é sentir necessidade de receber o amor do outro. Neste sentido, damos excessivo valor a algo ou alguém só porque nos faz falta. Isto é, nos comunicamos melhor com o outro quando estamos longe dele! 


Mas também é verdade que quanto mais soubermos reconhecer nossa capacidade de amar, menos dependentes estaremos da presença física da pessoa amada. A prova que esta premissa é verdadeira está no fato de que continuamos a amar alguém mesmo após sua morte. A dinâmica do amor continua em nosso interior: continuamos a nos dedicar à pessoa amada mesmo depois que ela já se foi. Rezamos por ela, e muitas vezes passamos a nos dedicar a finalizar seus projetos e realizar seus desejos. 


Assim como explica Robert Sardello em seu livro Liberte sua Alma do Medo: No amor espiritual, o bem da outra pessoa vive dentro de cada pensamento que me vem, quer o pensamento tenha ou não a ver com ela. O termo espiritual para essa qualidade é intento, que carrega um significado muito mais sutil do que quando dizemos que temos a intenção de fazer algo. Intento carrega o sentido de que alguma coisa mantida no pensamento se tornou tão real como se estivesse literalmente presente – não presente à minha frente, mas em todos os lugares dentro de mim. No amor espiritual, aquilo que se torna tão absolutamente real é a qualidade espiritual da outra pessoa, sentida no intento de ser orientada unicamente para o bem da outra pessoa. Na vida diária, o aperfeiçoamento do amor espiritual se concentra nos pensamentos que temos em relação à outra pessoa. Esses pensamentos não são iguais àqueles que surgem da saudade de alguém, da lembrança de algo que fizeram juntos no passado ou de pensar sobre o que a pessoa possa estar fazendo no momento. No amor espiritual, não necessariamente pensamos na outra pessoa, ao contrário, a outra pessoa, como espírito, tornou-se completamente entrelaçada à minha existência de modo que, mesmo sem perceber, ela está comigo a cada momento, de uma maneira que acentua a minha própria liberdade individual em vez de impedi-la.




(Texto de: Bel Cesar) - é psicóloga e pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano. Trabalha com a técnica de EMDR, um método de Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares. Autora dos livros Viagem Interior ao Tibete, Morrer não se improvisa, O livro das Emoções, Mania de sofrer e recentemente O sutil desequilíbrio do estresse.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO DO LUTO





Acompanhamento terapêutico do Luto (Grief Therapy) (Terapia do Luto)
“A experiência do luto é poderosa. Assim também é a sua capacidade para ajudar a curar a si mesmo. Ao viver o processo do luto, a pessoa está se movendo em direção a um renovado senso de significado e propósito em sua vida.” (Wolfelt)


O acompanhamento terapêutico do luto tem como principais objetivos:
-Identificar e resolver os conflitos causados pela separação, pela falta, pela ausência do ente querido.
-Trata-se da readaptação. O enlutado passa a desempenhar papéis que antes não desempenhava e isso pode ser bastante custoso.
-A resolução dos conflitos exige a vivência de sentimentos e pensamentos que o paciente evitava.
-Permitir que o paciente viva o luto, promovendo o espaço para as manifestações de sofrimento, de pesar, que muitas vezes em nossa sociedade são encarados como fraqueza, fazendo com que o enlutado não encontre espaço para expressar seus sentimentos.
-Identificar e descrever as situações problema, remanejar as contingências e desenvolver novo repertório comportamental.

-Validar os bons momentos e sustentar a alegria quando ela vier.

-Encorajar o enlutado a redescobrir o prazer e o sentido de sua vida.
-Auxiliar o enlutado a retomar suas atividades profissionais identificando, junto com ele, o melhor momento para o retorno.
-Prevenir situações de perdas secundárias ao luto, como a separação conjugal, no caso de pais que perdem filhos, cujo índice é altíssimo durante o primeiro ano após a morte.
-Estimular e orientar os pais enlutados a retomarem o cuidado com os filhos que ficam.
-Prevenir situações de desequilíbrio familiar após a perda de um membro da família, mantendo a união e o compartilhar da dor com transparência, evitando o pacto de silêncio.


A Terapia Do Luto De Mães Que Perderam Filhos


Porque a forma mais natural é que a morte dos pais preceda a de seu filho, a mãe tem muita dificuldade para se readaptar a uma nova e aparentemente ilógica realidade, uma vez que sua identidade pessoal esta amarrada ao seu filho, além de sentir-se impotente e perguntar-se, quase sempre, se não poderia ter protegido o seu filho da morte.
A base do trabalho terapêutico do luto com mães que perderam filhos, principalmente de forma trágica, está nas seguintes premissas: a “autorização para sofrer”, o “livrar-se da culpa” e o “você pode ser feliz de novo”.
A terapia do luto é a expressão livre dos pensamentos e sentimentos a respeito da morte e tal expressão é parte essencial da cura.
Muitas vezes é preciso verbalizar, dizer frases concretas, do tipo ”Permita-se sofrer: Seu filho morreu. É permitido chorar”, “Chorar não vai fazer seu filho ficar triste nem atrapalhar o caminho dele”, “Expresse a sua dor abertamente”, “Quando você compartilha seu sofrimento fora de si mesmo, a cura ocorre. Ignorar a sua dor não irá fazê-la ir embora e falar sobre isso pode fazer você se sentir melhor”, “Permita-se falar de seu coração, e não apenas de sua cabeça. Isso não significa que você está perdendo o controle ou vai ficar “louca” e sim uma fase normal do processo de luto”, “Fale com seus outros filhos sobre a morte do irmão  e, se tiver vontade, chore com eles”.
Com a morte de um filho, as esperanças, sonhos e planos para o futuro são desmontados, virados de cabeça para baixo,  começando uma jornada que é muitas vezes assustadora, dolorosa e avassaladora. Na verdade, às vezes os sentimentos de dor pela morte de um filho  vem de forma tão intensa que a mãe não entende bem o que está acontecendo. Faz parte do processo terapêutico, sugestões práticas para o dia-a-dia após a morte, ajudando o movimento em direção ao bem estar, respeitando sua experiência única de sofrimento, validando, descobrindo e reconhecendo a maneira particular daquela pessoa viver seu luto com a máxima coerência íntima.
Na terapia, procura-se enfatizar que o sofrimento é único e que ninguém, incluindo os outros filhos e parentes, sofrerá exatamente da mesma maneira. Cada um tem seu rítmo, reage de forma diferente e não existe certo e errado.
Sabe-se que a jornada do luto será influenciada não só pela relação que a mãe tinha com seu filho, mas também pelas circunstâncias da morte, o sistema de apoio emocional (rede de apoio), sua cultura e espiritualidade. Tudo isso é abordado durante as sessões, assim como a sensação de estar em um estado de sonho, como se fosse acordar e nada disto será verdadeiro. Estes sentimentos de entorpecimento e negação são necessários, principalmente no inicio, para isolá-la da realidade da morte até que esteja mais capaz de tolerar o que ela não quer acreditar. A morte de um filho pode resultar em uma variedade de emoções. Confusão, desorganização, medo, culpa, raiva e alívio são apenas algumas das emoções que ela pode sentir. Às vezes, estas emoções se sucedem dentro de um curto período de tempo ou podem ocorrer simultaneamente e, por mais estranho que algumas dessas emoções possa parecer, elas são normais e saudáveis. A mãe em terapia se permite aprender com esses sentimentos, deixando de se surpreender se, de repente, experimenta surtos de dor, mesmo em momentos mais inesperados, aprendendo a encará-los como uma resposta natural à morte de seu filho e a ser tolerante com seus limites físico e emocional. Seus sentimentos de perda e tristeza provavelmente deixam-na cansada. Sua capacidade de pensar claramente e tomar decisões pode ser prejudicada e o seu nível de energia podem, naturalmente, diminuir e ela não deve esperar que esteja disponível para o seu cônjuge, filhos sobreviventes e amigos, como já foi um dia. Estimula-se que ela ouça o que seu corpo e mente estão dizendo, coma refeições equilibradas e agende suas atividades, tanto quanto possível. Cuidar de si não significa sentir pena de si mesma, significa que ela está usando suas habilidades de sobrevivência.
Uma questão fundamental é alertar a mãe para as frases prontas e clichês, comentários banais que algumas pessoas fazem na tentativa de diminuir a dor da perda e que podem ser extremamente dolorosos. Comentários do tipo: “Segure firme, você tem que aguentar”, “O tempo cura todas as feridas” “Pense que você tem que ser grato pelo tempo que seu filho passou com você” ou “Você tem que ser forte para os outros” não são construtivas. Embora estas observações possam ser bem intencionadas, pode ser torturante aceitá-las como verdades absolutas.
Outro ponto estimulado é desenvolver um Sistema de Suporte (Rede de Apoio). Pedir aos outros e muitas vezes aceitar o apoio é difícil e na terapia, exploramos o porque, incentivando a mãe a procurar as pessoas que a permitem ser ela mesma reconhecendo seus sentimentos – felizes e tristes.
Estimula-se  a criação de um legado: As memórias são um dos melhores legados que existem depois da morte de um filho. Ao invés de tentar esquecer essas memórias, devemos compartilhá-las com a família e amigos, Lembrando sempre que as memórias podem ser tingidas de felicidade e de tristeza: “Se suas memórias trazem o riso, sorria. Se suas memórias trazem tristeza, então está tudo certo em chorar. Memórias foram feitas de amor – ninguém pode tirá-las de você. A realidade de que seu filho morreu, não diminui sua necessidade de ter esses objetos, parte tangível e duradoura da relação com seu filho.”
O tema Espiritualidade deve ser cuidadosamente explorado na terapia do luto: Se a fé é parte da vida dessa mãe, ela deve expressá-la da maneira que lhe parece apropriada. A revolta, expressa muitas vezes como raiva de Deus, deve ser percebida como uma parte normal do processo de luto. Orienta-se que a mãe manifeste a sua fé, mas, naquele espaço reservado e seguro da terapia, ela pode manifestar também a sua raiva e sua tristeza. Negar a dor só vai torná-la mais confusa e esmagadora.
Conciliar a fé e a dor não acontece rapidamente, uma vez que o luto é um processo, não um evento. 


(Adriana Thomaz -  formada nesta área de atuação (Assistência Terapêutica ao Luto) pelo Instituto 4 Estações de Psicologia em São Paulo em 2005 e fez diversos cursos fora do Brasil. Médica e faço Saúde Mental para Perdas, Morte e Luto, Psico-Oncologia (Tratamento e Acompanhamento Psicoterapêutico do paciente com Câncer e sua família) e Cuidados Paliativos, além de Clínica de Dor. (Trabalha tanto com pacientes terminais e suas famílias, quanto com os sintomas angustiantes que acompanham as questões relacionadas ao Fim da Vida. (End of Life Care), com psicoterapia e com medicação psicotrópica quando necessário.
Também faz parte da equipe do Dr. Daniel Tabak, sendo responsável pelo serviço de Dor e Medicina Paliativa, cuidando dos pacientes terminais e conduzindo a terapia do Luto do familiar no pós óbito).

terça-feira, 3 de janeiro de 2012


 SEMPRE
       



 Não se desesperes, num trágico dia, esse amado filho, que trouxeste ao mundo, deixou a estrada da vida e partiu para aquele espaço que acreditas que seja de tranquilidade infinita. Seca as lágrimas de angústia e vive aguardando com serenidade que a tua caminhada chegue ao fim.
         És mãe para todo o sempre. "SEMPRE", uma palavra neste contexto, cheia de Esperança, o significado de crer acreditar que os momentos mágicos de partilha com esse filho não morreram. A alma ficou magoada mas aberta ao sonho de continuares a viver trazendo bem vivo dentro de ti esse filho que foi uma realidade.
         É bom acreditar que no dia em que a tua viagem tiver o seu termo, chegarás à sua beira, e manterás com ele um diálogo de amor infinito. Por isso, esforça-te para que a nostalgia não se abrigue em ti e faça da tua pessoa um ser doente, demasiado só e triste. Contempla o céu, as estrelas e toda a magnificência do mundo que nos abriga, debruça-te sobre aqueles que nada possuem e sê atenta. Aos que te quiserem escutar fala-lhes das tuas experiências de vida, das tuas memórias. Conta às crianças, que por ironia do destino se cruzam contigo, histórias do teu imaginário de criança e com elas partilha a alegria de estares viva porque assim serás de novo "MÃE". Estás a contribuir para um mundo mais humano, estás a ofertar, ou seja, a transformar o teu desgosto em algo muito belo que no momento certo relembrarás junto desse filho que partiu. É bom acreditar que um dia te juntarás a ele e falarão das coisas bonitas do mundo dos homens.
Sentiste, tanto como eu, que naquele dia em que o teu filho de ouro partiu, as sombras caíram sobre ti e um desejo intenso de te juntares a ele obcecou-te. Não é possível, nem humano partir quando se quer mas sim quando a nossa história chega ao fim. E, se num momento de loucura o fizermos antes, estaremos a desejar esquecer de uma maneira egoísta a própria essência da nossa vida em relação aos outros.
         Sabes mãe, o tempo é curto, e por isso, tens de caminhar, dar a volta ao teu mundo, viver a tua missão de "Vida", a partir do momento em que nasceste, sem o pedir, até ao ponto de retorno que não será o "Nada" mas sim aquilo em que acreditares.
         Tenta renovar as tuas forças, a tua determinação e acredita que apesar da distância, da fragilidade que sentes, dessa incerteza em que o teu coração se encontra, o teu filho está incondicionalmente contigo para todo o sempre. Escuta-o e olha para o exterior e respira. Renova-te e responde-lhe dizendo que não interessam as barreiras físicas porque estão juntos para partilharem diferentes claridades.
         Murmura, fala ou grita junto ao mar ou à montanha, que queres a sua felicidade, e que apesar desta inevitável ausência, tudo está presente, porque o amor é de tal intensidade que ficarás à espera que tudo um dia se transforme e te demonstre o seu significado.
         Eu para sobreviver brinco com as palavras e com elas faço versos, faço narrativas que me trazem as lembranças escondidas, fazendo-me rir ou chorar. Fico feliz ao passar para o papel pedaços do meu caminho que se cruzam com outros caminhos que eu procuro ou que se me apresentam. O que desejo verdadeiramente é que te lembres que eu te convido a fazeres da tua vida, momento a momento, um desafio, partilhado com os vivos e os mortos que estão no teu coração.

(Texto de: Aida Nuno)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A PAZ QUE DESEJAMOS NO ANO NOVO QUE SE APROXIMA





Que nesse ano Deus nos ensine a Paz,
e que estejamos todos prontos para ouvir,
Que os nossos erros não sejam o nosso fardo,
Mas a experiência para decisões melhores,


Que nesse ano a religião não seja razão para o ódio,
e que os inocentes sejam sagrados,


Que as diferenças não justifiquem problemas,
Mas que mostrem soluções diferentes,


Que nesse ano toda criança possa brincar,
e que elas tenham brinquedos verdadeiros,


Que seus pais não justifiquem discórdia hoje,
Mas que falem dos sonhos de um futuro feliz,


Que nesse ano a força seja das boas palavras,
e que as palavras sejam ouvidas,


Que o poder não derrube paredes sobre as pessoas,
Mas que destrua barreiras entre elas,


Que nesse ano as nações sejam unidas,
E que a união tenha significado e seja respeitada,


Que os governantes não se esqueçam que a história não eterniza a vida, frágil e passageira,
Mas apenas pensamentos e ações,


Que nesse ano a natureza seja mãe,
E que, como filhos, tenhamos por ela o amor e o cuidado devidos,


Que as ações pelo Planeta não sejam assinadas apenas pelas nações que compreendem os problemas,
Mas também por aquelas que os causam...,


(Desconheço a autoria)


Que possamos aceitar os desígnios de Deus com resignação, pois ele sabe o que faz e quer o melhor para nós, seus filhos. Que Deus nos ilumine e nos abençoe e que 2012 seja realmente um ano de Paz na nossa querida "Terra". Amém.

FELIZ ANO NOVO.





(Liane Taborda Caron)



Feliz Ano Novo Ana Cláudia, minha linda, onde quer que estejas. Temos sempre você em nossos pensamentos e corações. Te amamos meu anjo.






sábado, 24 de dezembro de 2011

ORAÇÃO DA FAMÍLIA NA NOITE DE NATAL





Menino Jesus, Deus que se fez pequeno por nós, diante da cena do teu nascimento, do presépio, estamos reunidos em família para rezar.
Mesmo que fisicamente falte alguém, em espírito somos uma só alma.
Olhando Maria, tua mãe santíssima, rezamos pelas mulheres da família, que cada uma delas acolha com amor a palavra de Deus, sem medo e sem reservas, que elas lutem pela harmonia e paz em nossa casa.
Vendo teu pai adotivo, São José, pedimos ó Menino Deus, pelos homens desta família, que eles transmitam segurança e proteção, estejam sempre atentos às necessidades mais urgentes, que saibam proteger nossos lares de tudo que não provém de ti.
Diante dos pastores e reis magos, pedimos por todos nós, para que saibamos render-te graças, louvar-te sempre em todas as circunstâncias, e que não nos cansemos de procurar-te,mesmo por caminhos difíceis.
Menino Jesus, contemplando tua face serena, teu sorriso de criança, bendizemos tua ação em nossas vidas.
Que nesta noite santa, possamos esquecer as discórdias, os rancores, possamos nos perdoar.
Jesus querido, abençoa nossa família, cura os enfermos que houver, cura as feridas de relacionamentos.
Fazemos hoje o propósito de nos amar mais.
Que neste natal a benção divina recaia sobre nós.
Amém.
(Autor: Luís Erlin)




Feliz Natal Ana Cláudia onde quer que estejas. Temos sempre você em nosso pensamento e em nossos corações.Te Amamos Filha.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

NÃO EXISTEM TABUS, NÃO EXISTEM REGRAS PARA O LUTO DE UMA MÃE





Talvez seja um convite do tipo: - Vamos falar da morte?
Esta que é tabu maior que o sexo; maior ainda quando se trata da morte de um filho,  dor que se recobre em silêncio, por se tratar de uma dor inominável.
Como operar a partir do não sentido do real que a morte evoca e consequente falta de repostas que advém em momentos como este?
O luto é um longo caminho, que começa com a dor viva da perda de um ser querido e que segundo alguns, pode ser visto como um lento e penoso  processo de desamor em relação a quem se foi, ou seja, a pessoa enlutada não esquece nem deixa de amar o morto, mas passa a amá-lo de outra forma; amor esse, permeado por uma saudade enorme e envolta por uma dor indizível devido à perda abrupta e inesperada.
É quando duas situações se encontram absolutamente inseparáveis: o amor e a dor.
Amor pelo excesso de investimento colocado na pessoa que se foi, e dor porque esse suporte real nos deixou. O sentimento de abandono e o caráter definitivo de sua ausência são o que posso chamar de mais devastadores que se tem ao se deparar com a realidade da mais pura falta, do mais enorme vazio.
Assim escreve Nasio: - As manifestações da dor – “abatimento, grito e lágrimas a mantêm como se a pessoa que sofre estivesse arrastada pelo desejo inconsciente” - um desejo que nada tem a ver com masoquismo de viver a prova dolorosa. Querem sofrer porque a sua dor é uma homenagem ao morto, uma prova de amor. (O livro da dor e do amor; pág. 65). As perdas costumam ser nomeadas para que possam ser minimamente suportáveis.
Ao perder uma mulher, alguém passa a ser viúvo; aquele que perde os pais, órfãos; os que chegam a se separar, divorciados; mas as mães que perdem seus filhos não encontram sequer algo para nomeá-las. Lembro-me de uma amiga, psicanalista a quem sou muito grata por todo apoio recebido nesse período de luto, que me contava sobre os pacientes que sofriam da dor fantasma, que se trata de uma dor que acomete os pacientes que perderam um membro: tal dor é um dos maiores desafios para os médicos, estes não encontram um anestésico capaz de aliviar o sofrimento dos pacientes. O membro perdido, seja uma perna, um braço, enfim, não está mais no corpo, porém, o membro fantasma lateja, coça, aquece, esfria, dói. A dor é viva, é presente embora o membro esteja ausente, morto...
Com o tempo os pacientes podem aprender a conviver com a ausência que lateja.
Penso que a dor da perda de um filho é próxima dessa, vivido por esses pacientes sofridos.
Dizia-me essa minha amiga: - Ora, estamos falando de um membro do corpo, que dirá de um filho saído de nossas entranhas que como diz o poeta Chico Buarque: “Oh,pedaço de mim, oh ,pedaço amputado de mim”. É uma mutilação.  A perda de um filho no desabrochar da juventude de forma trágica e inesperada coloca qualquer sujeito diante de uma dor inominável e indizível.
O estranhamento e distanciamento do mundo sob a forma de uma dor alucinante derivado do próprio trabalho de luto não parecem combinar com a posição que o analista deve em circunstâncias normais, fora do circuito traumático.
Não raro algumas pessoas deixam de lado a sua dor jogando-se no trabalho de forma obsessiva quando este trabalho ritualista opera ações repetitivas e mecanizadas. Outras buscam na religião, um consolo possível.
O que dizer do ofício de analista que não é uma profissão como outra qualquer e que exige que ali o sujeito dê provas de sua análise? No período mais nebuloso da dor do luto que possibilidade há, se há alguma, de ouvir um outro, de se disponibilizar a escutar queixas comezinhas como, por exemplo, “ medo de se afogar no chuveiro” enquanto o analista atravessa uma dor imensurável.
No filme: - "O quarto do filho" que relata a experiência da morte de um filho de um psicanalista, este se vê na condição de se afastar da clínica por tempo indeterminado. A reação dos pacientes neste filme italiano, muito bem dirigido, nada piegas e verdadeiro, é a mais diferente possível a partir do percurso de análise de cada um e da transferência estabelecida com esse analista em particular. O osso mais duro de roer por certo.
Quando perdi meu filho a sensação era de que o mundo havia caído sobre a minha cabeça e que eu não conseguiria suportar. A vida se torna realmente impossível diante deste sofrimento. Sentia-me no dever de aparentar "força" quando não a tinha, pois estava dilacerada e devastada pela dor. Como poderia mostrar fragilidade, chorar em público, no meio da rua, pudesse eu superar com dignidade a dor de existir. Como esconder a indiferença ao mundo, o afastamento, a falta de interesse pelo mundo e a própria falta de lugar de uma mãe diante de tal acontecimento?
O luto não é terapeutizável, não há remédio para essa dor. Lembro-me de uma revista que li, cujo título da reportagem era: -“A dor que não termina”. São relatos de pais que perderam seus filhos de maneira trágica e os relatos da reação particular que cada um teve.
Desde aquele que ao ver seu filho morto por atropelamento e que o carrega nos braços para ser morto também pelos carros que passavam, como aquela mãe que se recusou a comer desde a perda de sua criança vindo a falecer 04 meses depois de inanição.
A reportagem começa justamente falando que o luto de quem perde filho é diferente de qualquer outro... E pode tornar-se insuportável o peso de tocar a vida adiante. A morte é sempre motivo de angústia e tristeza, mas a morte de um filho é uma tragédia contra a natureza, um desastre além da razão. Vivemos em um período desbussolado onde não se pode mais, como antigamente, encarar a tragédia como vontade de Deus.
Diante de uma determinação superior, restava apenas se conformar. As mães, no passado eram poupadas de qualquer tarefa por um período de no mínimo um ano para se recolherem. Não há mais tempo para resguardo, nem para recolhimento. A licença de uma semana (até o sétimo dia) é o que é amparado por lei. Os tempos modernos, onde impera a ditadura da alegria não oferece espaço nem lugar para a dor, especialmente uma dor como essa.
Reaja! Seja forte! Não fale mais no assunto! Aprenda uma lição com sua dor! Não fique paralisado pela dor! Enfrente! São imperativos ouvidos a toda hora e só posso aqui dar meu testemunho de como essas frases me incomodavam.
Portanto, nada de fórmulas, ou de dizer como alguém deve reagir... Ou fazer... Ou dizer... Aliás, não há muito que dizer. Aliás, não há nada o que dizer. A morte é tabu, e ninguém quer falar dela. A morte ninguém sabe o que ela é. A morte assusta e horroriza. A morte de um filho é algo de difícil materialização. O seu desaparecimento súbito provocou em mim uma série de questionamentos acerca de tudo à minha volta.  Com a morte de seu filho, é imperativo voltar a viver!  Essa dor da perda de um filho não é uma dor qualquer. Implica numa longa travessia de luto, reinventar a vida a cada dia e conviver diariamente com a ausência de respostas, e sair em busca de algumas outras que estejam ao alcance de quem passa por isso. Tudo se tornava de um dia para o outro insuportável e qualquer mínimo detalhe me fazia lembrar do meu filho. Não conseguia me envolver com nenhuma atividade que realizava e tampouco poderia volver atrás, trazendo meu filho de volta.
Essa certeza implacável tornou-se um tormento a ponto de meus familiares se incomodarem com meu recolhimento e isolamento, posições essas que me eram possíveis naqueles tempos tão doloridos e sem palavras. Outro ponto que quero marcar é sobre a seguinte questão: que tempo para o luto? É sabido que o luto é muito parecido com a depressão afetivamente falando, mas esta é sem a perda real do objeto. Há uma cobrança diante do luto estrondosa no que diz respeito ao tempo.
Você ainda está chorando deste jeito? Ou: não chore, pois seu filho vai sofrer ainda mais... Parece que só nessas horas aprendemos o que não dizer a alguém que perde um filho. Há um jogo social no sentido de quererem lhe empurrar goela abaixo uma fórmula, que não há; há de ser reinventada caso a caso. Que lugar para uma mãe sem o seu rebento. “Não reintegrarás o seu produto” está no texto bíblico, mas como se desfazer de tantos sonhos ao mesmo tempo, de tantos projetos, de tantos investimentos? Como lidar com o que nunca mais será? Ou com aquilo que jamais poderemos entender ou explicar dia após dia, noite após noite? Como suportar a falta de luz, que não há, e sem um dedo apontando o caminho, posto que essa destituição seja própria da morte em si mesmo?
Como dizer como outrora: - sou feliz o bastante! O provérbio judaico que prega cuidado com o que desejas, pois isto pode realizar-se, aqui é fora de questão, pois é impensável para uma mãe enterrar seus filhos. Isto é antinatural. As mães não deveriam chorar a morte de seus filhos. Ao concebê-los, deveriam receber, com carimbo do céu e assinado por Deus, uma certidão de garantia, para vê-los crescer, sempre saudáveis e felizes. Ao lado deles, poderiam comemorar suas vitórias, suas conquistas, e depois de muito tempo, quando sentissem a conclusão de seu ciclo de vida, elas teriam o direito de serem veladas por seus filhos, todos eles, a fim de seguir feliz sua viagem de reencontro ao Criador.
Os filhos, para as mães, deveriam ser sempre vivos, pois não foram concebidos para a morte, mas para a vida. Nada neste mundo é mais triste, mais doloroso do que choro de mãe que perde um filho. Elas não merecem isto. Nunca mereceram. Jamais merecerão.

(Post Original do Blog Uma Mulher, modificado por Liane T. Caron)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A MORTE DE UM(A) FILHO(A) DEIXA UMA DOR ETERNA




Vazio absoluto. Um nada sem chão, teto ou paredes. Mais que um poço fundo, o fundo sem o poço. A falta de ar. O desespero. A desesperança. Irracional, ilógico, inaceitável.
 As palavras e imagens mais fortes não são capazes de definir, o luto de uma mãe que perde um filho.
 A morte de um filho deixa cicatriz indelével, uma dor eterna. É a pior situação humana, não há perda maior.
Não tem nada de simbólico para que eu possa elaborar essa perda. Eu morri junto mesmo!  Mas é antinatural?, a morte imprevisível de um filho é a que nos desestabiliza. Oh ?Estou sem chão? é hoje uma frase que especifica muito bem o que uma mãe sente, de vazio absoluto.
 Angústia, revolta, dor, desespero, impotência, tristeza.
 Não existem palavras para definir a perda inesperada de um filho na adolescência. Diante de tanto sofrimento, esquecer jamais.
 Reinvestir amor e esperança na vida, da vida e pela vida é um caminho a ser alcançado, por mais impossível que possa parecer. Temos que tentar.


(Post Original do Blog Uma Mulher, modificado por Liane T. Caron)

domingo, 11 de dezembro de 2011

FALANDO DE PERDAS, LUTO E MORTE





Quem espera que alguém morra? Acho que a morte não está nos planos da maioria das pessoas. Mas o fato é que ela existe e, mesmo não falando na morte, ela acontece. E, como quase ninguém gosta de falar no assunto, muitas vezes a gente se sente só quando, por algum motivo, perdemos alguém que amamos, sentimos saudade ou mesmo quando tememos a nossa própria morte. 


Ao se contrapor à vida, a morte nos ensina a buscar uma vida melhor, porque ela nos diz que nosso tempo é limitado e, por isso, valioso. Ela oferece uma oportunidade para avaliar nossa existência, para rever e renovar o sentido que lhe damos. Podemos olhar para o que estamos conquistando, além daquilo que nós perdemos; é o momento de (re)descobrir as pessoas que gostamos, as qualidades que admiramos, nossos objetivos e nosso sonhos. 


Não gostamos de sofrer, não gostamos de sentir saudade, não gostamos de perder aquilo que amamos. Mas é algo necessário, pois todos nós enfrentamos perdas e mortes em algum momento de nossas vidas. Podemos nos permitir maior sensibilidade ao nosso sofrimento e ao alheio porque essas coisas acontecem em todos os contextos. E podemos aprender a compartilhar isso, sem excluir e sem negar a dor. É triste sentir a falta, mas alivia sabermos que preservamos em nós muita coisa valiosa adquirida por meio das nossas relações. Podemos e devemos ensinar esse processo às crianças, em casa ou nas escolas, nas comunidades, nas empresas. 


Nunca vamos esquecer a pessoa que amamos e perdemos. Ela pode ser substituída em suas tarefas, mas não em nosso afeto; vamos guardá-la conosco e preservar o carinho. Mas leva tempo. 


Lembramos com saudade e angústia no início e devagar passamos a lembrar com mais carinho do que dor. A dor da perda é o preço pelo prazer de amar, de gostar, de dividir a vida com outras pessoas. O luto é o processo de construção de uma nova etapa de vida, que pode ser positiva se houver um enfrentamento saudável do sofrimento, pois se traduz em crescimento e enriquecimento pessoal. 


A morte nos reúne em torno dela e nos iguala nos sentimentos de perplexidade, dor, tristeza, raiva, confusão. O luto é a resposta natural e esperada após uma perda que exige um processo de reorganização de longo prazo. A morte de uma pessoa pública nos leva ao luto coletivo, às cerimônias públicas de despedida. São rituais que marcam a perda e ajudam a encontrar um sentido para ela permitindo o compartilhamento das emoções, que são socialmente aceitas. E aí o luto coletivo tem outro sentido, de reciclar os lutos pessoais, nem sempre permitidos. Especialistas afirmam que a morte de personalidades conhecidas e admiradas pelo grande público, torna permissível que as pessoas que não extravasaram seus próprios lutos venham a fazê-lo. É o momento de reviver as perdas pessoais, deixar fluir as emoções abafadas. “Tomamos emprestado um pouco desse luto para chorar nossas dores”, diz a coordenadora do LELU (Laboratório de Estudos e Intervenção sobre o Luto), da PUC. 


Mesmo sem perceber, o luto privado muitas vezes é reprimido como uma espécie de defesa pessoal ou até por mudanças da sociedade atual que tornaram os rituais de despedida mais curtos e superficiais. “O prejuízo disso é semelhante ao de não poder expressar o sentimento”, diz a psicóloga Maria Júlia Kovács, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre a Morte do Inst. De Psicologia da USP. Segundo ela, pesquisas inglesas recentes mostram que quem não demonstra as emoções acaba refletindo-as no corpo, futuramente. Em tese, recuperar um pouco do ritual pode ajudar. Ele tem função terapêutica e resgata a solidariedade, principalmente numa cidade como São Paulo, onde é cada um por si a maior parte do tempo. 


Viver o luto, por mais dolorido que seja, é também um momento de crescimento e lapidação humana. Vários estudiosos nos mostram que é muito comum ficarmos chocados quando perdemos alguém, que a tendência é não acreditarmos no que está acontecendo, não conseguindo aceitar o fato de que o outro está morto. Até mesmo, na fase seguinte ao choque, se você tinha uma forte ligação com a pessoa que morreu ou uma convivência muito grande, é comum pensar muito nela, vê-la nos lugares que ela costumava estar, ouvir sua voz, pensar em falar com ela, coisas assim. O hábito e o carinho fazem a gente levar mais tempo para acostumar-se com a perda. Às vezes, você até procura a pessoa falecida, como se ela ainda estivesse viva. E como a saudade é grande, todos esses sentimentos vão se misturando, se embolando, e leva um bom tempo para se acertarem dentro do seu coração, até que um dia você percebe que está mais conformado. Não é que você esquece de quem gostou muito, mas consegue lembrar-se dele com carinho, já entende melhor sua morte, já se sente mais conformado e sua vida parece mais normal. A saudade é um sentimento que sempre existirá: você pode “morrer” de saudade, mas logo estará “vivo” novamente. 


Tudo isso acontece porque uma grande mudança começa quando perdemos alguém importante para nós. Muitas perguntas surgem: Por que não aproveitamos mais a vida? Por que não falamos ou fizemos algo para o fulano antes de ele morrer? O que faremos agora sem aquela pessoa? Vamos conseguir continuar sem ela? Será que ela está em algum lugar? Por que morreu? São muitas as questões e às vezes achamos que devemos, nesse momento, tomar decisões importantes, assumir responsabilidades. Calma, devagar. É melhor começar com pequenas decisões. 


E tem mais uma coisa importante: o medo. Enfrentar a morte ou a perda de alguém querido torna-nos frágeis, impotentes e isso dá medo. Aí o que fazemos? Tentamos escondê-lo bem, para não mostrar nossa fragilidade ou para tentarmos evitar sentir mais medo. É uma forma de assumir o controle da situação, buscando sentirmo-nos forte outra vez. Mas, quanto mais a gente tenta controlar esses medos, mais eles aparecem: medo da violência, medo de escuro, medo do fracasso, medo de doenças, etc. Por isso, vale a pena refletir um pouco sobre quais medos nos acompanham no momento. Pode ser medo da própria morte ou medo do desconhecido ou medo de perder outra pessoa, entre outros. Quem ainda não se perguntou de onde veio e para onde vai? Saber de onde viemos, o que acontece quando morremos, qual o sentido da vida, é o que chamamos de “questões existenciais”. Uma questão existencial é uma questão de vida, algo que está presente em todo ser, pelo menos em algum momento da vida. Falar sobre a morte e o que acontece depois dela desperta uma grande curiosidade, mas também provoca desconforto. É difícil, dá um medo. O temor da morte decorre, portanto, da noção insuficiente da vida futura. 


A medida que o homem compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui. Uma vez esclarecida a sua missão terrena, ele aguarda o fim com calma, resignado e serenamente. A certeza de reencontrar seus familiares e amigos depois da morte, de reatar relações que tivera na Terra, dá-lhe coragem para suportar a partida de um ente querido. A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. Eis aí porque os espíritas encaram a morte tranqüilamente e se revestem de coragem e serenidade nos seus últimos momentos na Terra. 


Um breve comentário: Sou Rosa Maria Carleto Tosello, 55 anos, espírita, comecei desde jovem um trabalho como voluntária no CVV Samaritanos, atendendo pessoas que queriam se suicidar e descobri que, no meio de tantas perdas que já experimentavam, a morte estava presente. Hoje, sou voluntária na AACC – Associação de Apoio à Criança com Câncer que auxilia crianças e adolescentes que lutam para viver. Nesse processo de morte, vida, perdas e luto, eu fui tomando mais contato com a dor do outro e me esforçando para melhor entendê-lo. 


Assim, há 8 meses eu também vivenciei a minha grande perda (meu marido). Acometido por um câncer no cérebro, sua luta foi grande, mas sempre com resignação e aceitação até o final. Devo confessar a vocês que não foi fácil quando eu recebi o diagnóstico e pensei: “Agora eu não sou mais só voluntária, serei também cuidadora e perdedora”, bendita Doutrina que nos faz pensar na vida além da vida e nos fornece ensinamentos comprovados da imortalidade da alma. 


Mas como nada é por acaso, nesta mesma época eu fazia um curso na associação sobre “Como acompanhar a separação e o desapego do outro”. Aprendi a não viver o luto antecipado. Mesmo sabendo que o desencarne dele não demoraria muito, elaboramos melhor nosso tempo. Foi um exercício de enfrentamento e preparação para a morte, vivenciado por nós dois. 


Não tivemos medo do sofrimento, porque muitas vezes nós expulsamos a morte da nossa intimidade, o que me permitiu proporcionar ao meu marido toda a ternura e solidariedade nos momentos finais. Eu não podia negar a dor dele, apenas compartilhava. 


Aprendi a lidar com as tristezas profundas. Quando enfrentamos o sofrimento, a capacidade de tolerância e resistência aumenta as nossas perspectivas sobre a vida. Sem medo de enfrentar a dor e as perdas, tivemos um grande conforto espiritual: resgatamos a humanização e a dignidade perante a morte. Pela reconciliação com ela, tivemos a oportunidade de pedir perdão um ao outro, de fazer nossas despedidas, de repassar nossas experiências e vivências de 23 anos vividos juntos nesta vida. 


E para finalizar, eu gostaria de partilhar com vocês uma nova experiência que vivo hoje, numa Casa Espírita. O Centro Espírita Obreiros do Senhor de Rudge Ramos – SBC, iniciou neste ano, uma atividade muito interessante: trata-se de um Grupo de Suporte ao Luto chamado Diálogo Fraterno cujo objetivo é orientar e amparar as pessoas que perderam seus entes queridos e que chegam à Casa Espírita em busca de esclarecimento e socorro espiritual. 


Através de palestras evangélicas, o Diálogo Fraterno procura consolar, despertar e conscientizar os participantes. Após a palestra, o grupo se reúne e cada participante tem a oportunidade de desabafar e ouvir o desabafo do outro, relembrar as perdas, recuperar as lembranças da vida e morte do ente querido e expressar seus sentimentos, reorganizando-os internamente. 


Portanto, agradeço a Deus, ao Romeu (meu marido) e a toda as pessoas cujo sofrimento pelas perdas que tiveram, deram-lhe a experiência e os conhecimentos que me possibilitaram criar novos caminhos para aqueles que ainda se vêem sufocados por um luto, cuja razão não compreendem e por isso não são capazes de crescer por meio desse sofrimento. 


(Texto Extraido do Site: Perdas de Entes Queridos)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

AMOR ETERNO






Mãe e filha estavam caminhando pela praia.
Num certo ponto, a menina perguntou:
- " Como se faz para manter um amor ? "
A mãe olhou para a filha e respondeu:
-" Pegue um pouco de areia e feche a mão com força..."
A menina assim fez e reparou que quanto mais forte apertava a areia com a mão, com mais velocidade a areia escapava.
-" Mamãe, mas assim a areia cai !!! "
-" Eu sei, agora abra completamente a  mão..."
A menina obedeceu mas veio um vento forte e levou consigo a areia que restava em sua mão.
- " Assim também não consigo mantê-la em minha mão!"
A mãe, sempre a sorrir disse-lhe:
-" Agora pegue outra vez um pouco de areia e
deixe-a na mão semi-aberta como se fosse uma colher... bastante fechada para protegê-la e bastante aberta para lhe dar liberdade."
A menina experimenta e vê que a areia não escapa da mão e está protegida do vento.
-" É assim que se faz durar um amor".


(Desconheço o Autor)

domingo, 4 de dezembro de 2011

CHORAR FAZ BEM






 Perante a nossa grande mágoa, chorar é um comportamento natural que exprime os sentimentos de desespero, revolta e tristeza. A contenção do choro muitas vezes depende da cultura ou mesmo da educação que se tenha tido.
         Chorar é mostrarmo-nos de uma maneira mais expressiva. Não reprimir o choro é ter oportunidade de criar um elo com a nossa própria emoção. Através dessa expressão sentida conseguimos conhecermo-nos melhor, uma vez que estamos a extravasar os nossos sentimentos intensamente. Assim  suportaremos melhor a angústia que nos quer destruir.
         É humana esta necessidade imensa de sentir a dor através do choro. Libertarmo-nos da opressão que sentimos e, quando esse transbordar de lágrimas cessa, chegamos a pensar: “Chega de chorar. Vou encarar a Vida e fazer o meu melhor em memória do meu filho”.
         É depois de desabafar através das lágrimas, por vezes, há muito contidas, que se encontra alívio e clareza de espírito para prosseguir e enfrentar o dia a dia, ou seja, o futuro. Fica-se mais sintonizado com as emoções. Há uma libertação saudável do interior para o exterior.
         Muitos pais reprimem as suas lágrimas por vergonha de se mostrarem como homens fracos. Nunca conseguiram chorar. Enquanto o não fizerem estão sujeitos a comportamentos compulsivos, medos e manias que acabam por limitar a sua vida fazendo também sofrer os seus familiares.
         A nossa dor não passa com o tempo. O tempo só atenua a dor, mas não a cura. A dor só acaba por ir purificando o sofrimento, dura realidade que nos magoa. Apenas e só a consciência do sofrimento é capaz de transformá-lo em serenidade. É preciso aprender a saudade para não acumularmos mais confusão no nosso interior.
         O nosso autoconhecimento surge quando passamos a aceitar a nossa fragilidade diante da dor da perda e naturalmente viver com a nossa sabedoria intuitiva de defesa. A dor, como forma de alimento, por muito que me custe dizê-lo, por receio de não ser compreendida, é inútil. É preciso sim unir o pensamento ao sentimento. Saber conviver com o nosso filho perdido, em paz.
         Como poderemos fazê-lo? Cada pai ou mãe são diferentes e sendo assim reagem das maneiras mais diversas. Todos eles, no entanto, sabem que têm de prosseguir por si, pelos outros filhos, pelo trabalho que lhes dá a subsistência, pelos seus próprios pais mais idosos e cansados, enfim, um rol de circunstâncias que fazem desesperar mas também incutir a força de reagir.
         Que a opressão que muitas vezes carregamos seja aliviada pelas lágrimas. Depois... é bom olhar o céu com todas as suas nuances e acreditar sempre no dia seguinte. Um renascer de esperança e coragem para nos podermos abrir ao amor com todos aqueles que partilham a nossa vida.
         O luto por um filho é um processo muito doloroso e que foge ao nosso controle. Não há regras nem certezas. Podemos pensar que estamos bem para encarar o quotidiano mas, inesperadamente, num momento, num olhar, num gesto, num vulto, num sorriso todo o drama surge tão nítido que caímos outra vez no abismo da perda. Acreditem, porém, que cada vez que se erguerem se vão sentir mais corajosos e mais  inteiros.                                                                            
(Aida Nuno) 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

LUTO: UM TEMPO TEMIDO, UM TEMPO NECESSÁRIO 




PARA QUEM PERDEU ALGUÉM 
Embora a morte faça parte do desenvolvimento humano, lutamos durante a vida pela idéia da imortalidade, e tentamos negar qualquer possibilidade de perda das pessoas que amamos. Quando a morte acontece, a sensação de dor é tão grande que temos a impressão de que vivemos um pesadelo que, em breve, vai passar. A tarefa mais difícil é constatar que o sonho é real e que é impossível fugir dele. Abre-se um imenso buraco, e a sensação de vazio invade a alma com muita força. É como se ficássemos órfãos de nossas próprias crenças, e sem esperança de poder continuar vivendo depois deste duro golpe. O curso do tempo, que até então era sem importância, passa a ser um inimigo a ser enfrentado e, só aos poucos, descobre-se que é dele que virá o acalento. Talvez, neste exato momento, muitos de vocês se sintam assim, experimentando um terrível vazio, e sem ânimo para continuar vivendo. Este é o início de um tempo muito difícil, de um tempo de dor, de um tempo de mudanças e transformações por dentro e por fora também. Este é o tempo do luto. 


POR QUE DÓI TANTO?
 A dor que dói dentro do peito é do tamanho da ligação que se tinha com quem partiu. Leva tempo para nos ligarmos a uma pessoa e, portanto, será necessário também um longo tempo para nos desligarmos dela. Desligar não é esquecer, mas é poder viver com a lembrança da pessoa que partiu sem se machucar tanto. Com o passar dos dias e dos meses, essa dor se transformará em saudade e lembranças.


QUANTO TEMPO VAI DURAR ESSE SOFRIMENTO? 
É preciso entender que, neste processo de luto, há dois tempos correndo juntos: 
O tempo do relógio e o tempo interno de cada um. Estes tempos nem sempre são coincidentes. 
O tempo do relógio marcará as horas, os dias, as semanas, o mês e os anos; mas o tempo de dentro tem uma marcação diferente. Ele anda conforme as sensações e sentimentos de cada um; por isso o tempo do luto é diferente para cada pessoa. Haverá dias em que a ausência parecerá algo muito recente, algo ainda muito doído. Em outros momentos, haverá uma impressão de melhora, como se o sentimento de falta houvesse rapidamente passado. Sem dúvida, o tempo do relógio irá ajudar o enlutado a entrar novamente na realidade, com o difícil encargo de aprender a conviver com o sofrimento. Mas, como as pessoas são diferentes, vivem seus sentimentos de forma diferente, e também elaboram o luto em tempos diferentes e de forma muito pessoal. 


OS PRIMEIROS DIAS... 
O dia do falecimento de alguém que amamos é, com certeza, um dia em que tudo parece ser parte de um filme do qual você nunca mais esquecerá. Uma sensação de que o chão se abriu e de que você tem de ser “forte” para não cair, mas suas pernas e seu corpo não controlam tantas emoções e tanta dor. Os encaminhamentos práticos – velório, sepultamento, avisar parentes e amigos – talvez o distancie um pouco das emoções, mas em algum momento você vai ter de lidar com elas. O estado de confusão é muito comum nestes primeiros dias. Crises de choro, depressões, alterações de sono, de apetite e de humor são reações esperadas. Nesse momento, muitas coisas perderão o sentido para quem vive o luto. Até as tarefas mais simples do dia-a-dia poderão ser difíceis demais de serem realizadas. Quem quiser prestar um apoio, a alguém que vive o luto, poderá realizar essas tarefas cotidianas para permitir que o enlutado se restabeleça e, aos poucos, volte à sua rotina. Voltar para casa sempre é difícil, pois representa voltar para a vida sem a pessoa que perdemos. Esta volta pode ser adiada por alguns dias, mas em algum momento terá de acontecer e será acompanhada de sofrimento. A rotina diária vai contando o que aconteceu e, por isso, os primeiros dias são tão doloridos e difíceis. Todo apoio é bem-vindo nesse momento, mas é preciso que a pessoa que deseja ajudar também esteja pronta para ouvir e enxugar as lágrimas que vão rolar. Não tente impedir o
enlutado de sofrer a sua dor, de sentir saudade... ele precisa “dar palavras a sua tristeza porque o pesar que não fala endurece o coração já sofrido” (Shakespeare).


 OS ANIVERSÁRIOS E AS DATAS COMEMORATIVAS... 
As datas de aniversário de nascimento e morte, assim como outras datas comemorativas, são ocasiões de muito impacto e recordações. Portanto, alterações emocionais são esperadas nestas circunstâncias. Mas, essas datas não podem ser apagadas do calendário, por mais sofrimento que tragam. É preciso, ao contrário, reaprender a conviver com esses dias e a comemorá-los de um jeito diferente. O Dia de Finados, em especial, além de homenagear os entes queridos, leva-nos a pensar no enigma da morte, em nossos limites e fraquezas, confrontando-nos com o fato de que somos mortais e fazendo-nos repensar a forma como estamos lidando com a vida. 


COMO POSSO AJUDAR UMA PESSOA ENLUTADA? 
Todo apoio e cuidado dos familiares e amigos é bem-vindo, já que a sensação de perda gera instabilidade, desamparo e confusão. Se você quer ajudar um enlutado, atente para algumas orientações: 
- É necessário, em primeiro lugar, que você o deixe expressar sua dor, permitindo que ele demonstre a saudade da forma que puder; 
- Não o impeça de chorar e não lhe exija ser mais forte; 
- Seja paciente com as reações diferentes e inesperadas do enlutado; 
- Esteja por perto e coloque-se à disposição para ajudá-lo naquilo que for preciso. Nesse momento, tarefas simples do dia-a-dia podem parecer difíceis de serem realizadas sem auxilio; 
- Nunca diga: “foi melhor assim”; pois nem sempre o será para a pessoa que ficou; 
- Não finja que nada aconteceu nem fique tentando distrair a pessoa; 
- Deixe-a expressar-se por meio de sua espiritualidade e de suas crenças, mesmo que você não partilhe delas. Enfim, se você quer realmente ajudar, escute o enlutado sem interferir em seus sentimentos. Às vezes, um abraço e o silêncio são mais eficazes do que um milhão de palavras.


Lembre-se de que a morte, embora seja um processo natural da vida, é um grande enigma para o homem, e a dor da perda sempre será o seu maior sofrimento.


( Ana Lúcia Naletto e Lélia de Cássia Faleiros Oliveira são psicólogas clínicas do centro de Psicologia Maiêutica, especializadas no trabalho com enlutados, e desenvolvem projetos de apoio à família no Cemitério Primaveras - Guarulhos - SP, por meio de palestras e grupos. (2009)







terça-feira, 22 de novembro de 2011


AMOR, PERDAS, PARTIDAS E SAUDADE...



“Falar em perdas é falar em solidão, tristeza, desesperança, medo.” 
Quando digo perdas, não estou me referindo apenas aos que morrem, mas a todos que, de alguma forma, nos deixam prematuramente, antes que estejamos preparados. 
Um amigo que se muda para longe, um namoro interrompido abruptamente e até mesmo um ente querido que se vai, sempre provoca em nós uma sensação de vazio. 
E por que isso? Porque sofremos tanto mesmo sabendo que estas perdas ou partidas inesperadas são inerentes à vida e que, portanto, não podemos controlá-las? 
Não saberia responder com precisão as perguntas acima, mas, o que me parece mais coerente é que nunca estaremos prontos para nos acostumarmos com a falta dos que amamos. Por mais que saibamos que a qualquer instante eles nos faltarão, temos sempre a predisposição em acreditarmos que quem nos ama nunca nos trairia, nos privando de seu afeto, carinho e amor. 
Ledo engano. 
São justamente aqueles que amamos que mais nos machucam com suas partidas inesperadas. 
Vão-se sem aviso prévio e nos levam a felicidade, a fé na vida, o equilíbrio. 
O que fazer então? Não amarmos? Não nos permitirmos gostar de alguém pelo simples fato de que seremos, mais cedo ou mais tarde, deixados para trás na vida, entregues às nossas angústias e remorsos por não termos dito tudo ou feito o suficiente por eles? 
Creio que não. 
Se há algo na vida que mais nos trás felicidade é sabermos que somos queridos e não seria honesto nos privarmos de tal sentimento por covardia. 
Um amor de pai e mãe, o carinho de um amigo ou afeto de uma relação a dois deve sempre se sobrepujar ao medo da perda. 
Porque ela é inevitável; o sentimento, não. Deve ser exercitado todos os dias de nossas breves vidas. 
Ele é o que nos move, nos dá o chão para que possamos caminhar pela vida com a certeza de que, haja o que houver, teremos sempre alguém com quem contar, que nos apoiará mesmo nos momentos em que não tenhamos razão. 
Esta, deve ser a maior lição deixada pelos que partem sem nos avisar. Lembrar-nos que devemos sempre curtir aqueles que amamos com a intensidade proporcional à brevidade de uma vida. 
Porque, quando nos faltarem, saberemos que amamos e fomos amados, que demos e recebemos todo o carinho esperado, que construímos um sentimento que nenhuma perda poderá apagar. Este sentimento transcende o espaço e o tempo, não se limita ao contato físico. 
Torna-se parte de nós, impregnado em nossa alma, nos confortando nos dias difíceis, sendo cúmplice de nossas vitórias pessoais, norteando nossa conduta, nos fazendo sentir eternamente amados. 
Que me perdoem os físicos, mas, neste caso, acredito sim que dois corpos podem ocupar o mesmo lugar no espaço. 
Basta que permitamos sentir a presença dos que amamos dentro de nós, como se fossem parte de nossa alma. Só assim seremos inteiros. 
“Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós".
(Autor Desconhecido)

 
 








 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

DIFICULDADES DE EXPRESSARMOS NOSSOS SENTIMENTOS À QUEM AMAMOS




Um dos aspectos da perda, e talvez o que causa ainda  mais dor, é a perda de alguém fisicamente.

 Quando alguém que nos é querido parte, temos sempre a sensação… hum… sensação ou certeza de que podíamos ter dito e feito muito mais.
 Adiamos sempre os gestos de ternura, os perdões, os amo-te, os abraços fortes… os passeios a pé, os silêncios confortáveis de profunda partilha… e um dia o Universo diz: acabou o prazo!
Parece que nos puxam o tapete debaixo dos pés! Sentimo-nos traídos, como se tivéssemos o direito de dar opinião acerca do “destino” dos outros… 
Sentimo-nos vazios…
 Esta dor é quase insuportável, mas como tudo na vida, o tempo dá uma mãozinha. Só mesmo esse tempo para amenizar o sofrimento, muitas noites passamos sem dormir, dias e dias sem nos alimentarmos, sem querer sair da cama, muitas lágrimas de intensa frustração derramamos, mas é tarde…
 Sem pressão, seria bom que todos mantivéssemos em mente este fato, que pode acontecer a qualquer momento. 
O nosso pai, a nossa mãe, um irmão, um filho, uma filha, o nosso companheiro, uma avozinha,um amigo pode terminar a sua caminhada. É a lei natural da vida. É incontornável.
A qualquer momento, o anjo da morte léva-nos alguém que amamos. Esse alguém pode ser um daqueles a quem nós não tivemos coragem de dizer: amo-te tanto! Admiro-te tanto. És tão importante para mim.
Temos tantas dificuldades em expressar nossos sentimentos. 
E agora depois que se foram sentimo-nos mais arrasados ainda e infelizmente ficamos calados...
E que nos deixam mais marcas profundas.


(Texto Original Esfera Feminina - Vera Xavier modificado por Liane T. Caron)

terça-feira, 8 de novembro de 2011


A MORTE DE UM FILHO JOVEM EM CIRCUNSTÂNCIA VIOLENTA: COMPREENDENDO A VIVÊNCIA DA MÃE




Atualmente a violência vem ganhando espaço e crescendo de maneira assustadora. O aumento de mortes de  jovens  por  homicídio é cada vez mais alarmante, sendo considerado, já em 1996 pela Organização Mundial de Saúde ( OMS ), como um importante problema de saúde pública.

A morte de um jovem é interpretada como interrupção no seu ciclo biológico e isso provoca sentimentos de impotência, frustração, tristeza, dor, sofrimento e angústia. Sabe-se que a morte é um fato inevitável, contudo, é difícil aceitar que aconteça precocemente.  Lidar  com a morte é uma questão difícil, muito pior quando ocorre com um filho, isso porque a morte de um jovem é uma situação que não é naturalmente pensada pela família, pois o normal seria que os pais morressem antes na perspectiva do ciclo vital.
Se a morte ocorre de maneira brusca e inesperada, é possível que o sentimento materno de perda irreparável se agrave, levando à não aceitação, desorganização e impotência da mãe.
Os sentimentos vivenciados pelas mães que perderam seus filhos por homicídio alimentam a busca de justiça e punição dos culpados, a ânsia de compreender o que aconteceu e a necessidade de expressar a dor e falar sobre a tragédia vivenciada, o que pode caracterizar possível fator de risco para o desenvolvimento de um luto complicado.

As mães que passaram por uma vivência de perda possuem características semelhantes , reveladas nas categorias analisadas a seguir:
Mumificando o filho na memória;
Morte e publicidade: trilhando dois caminhos;
Suportando a dor da morte de um filho: apego à espiritualidade;
Cumplicidade materna;

MUMIFICANDO O FILHO NA MEMÓRIA:
A perda de um filho se revela como um sofrimento intenso e complexo, isso porque, a intensidade da sintomatologia e duração do processo de luto parental frequentemente difere dos processos de luto por outros tipos de perda.
Para as mães, os sentimentos e o sofrimento pela circunstância da morte dos filhos são preservados e revividos a cada lembrança. Mesmo tendo ocorrido há muito tempo, cada uma relata minuciosamente cada detalhe do caso ocorrido com seu filho e descreve a seqüência dos fatos, com lembranças de horários, roupas, falas e desejos do filho antes de morrer.
Os relatos das mães revelaram o persistente estado de ligação, do vínculo de amor estabelecido com o filho que morreu, gerando elevadíssimos níveis de angústia.
Outro fator complicador para a vivência da perda de um filho por assassinato é a violência física contra seu corpo, que desperta nas mães a revolta e o desespero.
Em estudos as mortes por homicídios ocorridos por asfixia, armam de fogo, arma branca e agressões contra a vítima (estupro), mortes violentas que persistem na lembrança de cada mãe como “uma morte não digna”, aumentando a dor a cada momento e fazendo-a imaginar os instantes de sofrimento de seu filho ao morrer clamando por ajuda.
O estado em que fica a pessoa que morreu pode ter forte influência na memória e lembranças que se têm. Os discursos das mães revelam que essas lembranças são insuportáveis.
Apesar da inaceitabilidade da morte dos filhos, as mães não negam a morte desse filho. No entanto, é de intensa magnitude o apego às lembranças e à memória que elas carregam, sobretudo em relação ao filho, as quais são revividas intensamente, não importando quanto tempo tenha se passado.
Isso se  leva a acreditar em uma mumificação da memória materna, que conduz as mães ao desespero e a uma situação insustentável, mas também  significa a preservação do vínculo saudável com seu filho. Essa mumificação na memória se revela como um retornar do filho ao útero materno, para a proteção e privacidade de sentimentos tão nobres e delicados. Esta mumificação parece não significar negação da morte ou esperança de retorno do filho assassinado, e sim, demonstrar uma profunda ligação afetiva e desejo de justiça.
As reações de dor e sofrimento intenso, a mumificação das lembranças das mães diante da morte de um filho, revelam que as famílias acometidas pela violência não estão tendo assistência adequada, não têm o apoio necessário para o enfrentamento de tamanha tragédia, que pode atingir de forma negativa sua vida pessoal, familiar e social.

MORTE E PUBLICIDADE: TRILHANDO DOIS CAMINHOS
A mídia, em suas diversas formas, difunde amplamente junto à população os fatos de interesse ou que causam impacto. Das notícias por ela propagadas a violência está entre as mais comuns, em função dos seus índices crescentes e alarmantes. Neste sistema de informação, pelo interesse na audiência, existe uma evidente invasão da imprensa a qual transforma a perda em morte pública, levando a uma desumanização da morte e banalização do sofrimento.
Na posição de edição, escolhem os acontecimentos, as mortes que merecem “investimentos”, aquelas que resultarão em audiência e renderão leitura. Para isso invadem os locais dos acontecimentos, buscam relatos dos familiares, e com essa função, certamente correm o risco de atravessar a linha do bom senso e do respeito.
É patente a reação de repúdio e oposição da maioria das mães às atitudes dos repórteres ante a morte de seus filhos. Elas relatam a situação de desconforto em que foram colocadas pela imprensa sensacionalista, que invadiu sua privacidade somente pela busca de notícia e audiência.
São evidentes os problemas da cobertura jornalística e a falta de sensibilidade que permeiam os momentos de tragédia. A linha entre o dever de informar sobre uma tragédia e o respeito aos direitos dos que querem sofrer longe das lentes e dos microfones é muito  tênue e exige dos jornalistas grande respeito e sensibilidade.
Mas a massificação desses meios de comunicação aprofundam a tendência a transformar mortes trágicas em notícias, e de modo quase simultâneo, destacam a coisificação da morte. Deste modo, a morte se torna pública, impessoal, perdendo o seu caráter existencial, como a mais irremissível de todas as possibilidades.
Essas práticas que invadem e expõem a dor do outro, principalmente em se tratando de pessoas pobres e/ou anônimas, são comuns nos jornais e emissoras ditas populares, que vendem muito com as tragédias anunciadas.
Não obstante, o tratamento dado à notícia e a atitude da mídia diante da vítima e dos familiares dependem do perfil do órgão. Muitas vezes a mídia revela uma função positiva quanto à divulgação da informação, o que torna necessário compreender seu papel por outro prisma. Elemento essencial em nossa sociedade, à mídia atua também como agente de denúncia e, igualmente, como um agente fixador da memória, ao contar e produzir uma história para a sociedade e propagar a informação, podendo intensificar a resolução dos casos.
Diante de várias situações vivenciadas pelas mães em relação à mídia e à publicidade da morte violenta de seus filhos, compreende-se a existência de dois caminhos trilhados pelos meios de comunicação ao divulgar a morte por homicídio, caminhos que são opostos e com diferentes consequências: a mídia pode-se revelar como uma invasora de privacidade e, sob outra perspectiva, como uma aliada na busca de justiça e, indiretamente, na compreensão da dor da perda das mães.

SUPORTANDO A DOR DA MORTE DE UM FILHO: O APEGO À ESPIRITUALIDADE
O processo de vivência da perda refere-se às concepções que as mães têm do mundo, pois a perda pode pôr em causa, inicialmente, várias crenças e desafiar valores fundamentais na busca de compreensão da morte violenta de um filho.
Diante de uma morte cuja causa não é natural crescem os sentimentos de incompreensão, injustiça e revolta. A perda torna-se inaceitável, por tirar dos seus filhos o direito de viver, diferentemente de quando a morte acontece pelo processo natural de envelhecimento ou doença. Quando ela ocorre por ato de crueldade dos homens se torna inadmissível e inconformável para as mães.
A indignação, a revolta e o inconformismo das mães só encontraram guarida na espiritualidade, na crença de um mundo melhor que o mundo físico que se apresenta a elas - um mundo de violência, de desrespeito, de dor e sofrimento. Também, que outros recursos podem ter além da busca pelo sagrado?
As mães, logo de início, destacaram a crença em Deus como fortaleza para sobreviver  à morte violenta do filho.
É notória a relação intrínseca entre a religião e períodos críticos ou estressantes da vida.
Dificuldades, sofrimentos e conflitos representam o foco da atenção de orientações da religião de como lidar com a dor, perdas, fracassos, ou com sentimentos de impotência diante de problemas.
A fé, a religião, o poder divino – no dizer das mães - acabam por tornar tolerável o insuportável, ao oferecerem força para lidar com a tragédia e continuar vivendo.
Este aspecto do processo de reestruturação da vida após a perda de um  filho representa um desafio e mostra a necessidade de os profissionais refletirem sobre a relação entre a espiritualidade e o enfrentamento da perda, relação esta muitas vezes por eles negligenciada ou negada.

CUMPLICIDADE MATERNA (mães de filhos assassinados e mães de filhos assassinos)
A maternidade atravessa o dia-a-dia das mulheres desde a infância. Desde criança a menina brinca de boneca, de casinha, ocupando sempre o papel de mãe; e na descrição desse papel da infância encontra-se também a definição de maternidade como cuidadora e responsável pelo bem estar da família.
Esse simbolismo da maternidade unifica entre si as mulheres como únicas a vivenciarem o estado de gestação, nascimento e amamentação de seus filhos, criando também uma esfera emocional de compreensão exclusiva das mães nessas situações.
As maiorias das mães afirmam que a vivência da maternidade e da tragédia, ou seja, de uma maternidade estraçalhada, gera uma solidariedade e uma união muito fortes entre elas.  - Uma mãe relata:...a cada morte que acontece eu revivo em mim a dor, principalmente penso nessas mães que estão passando por isso nesse momento.
Ainda quando se alude às condições da perda de um filho por homicídio, envolvendo diretamente duas situações - a da vítima e a do assassino - é interessante destacar que esta solidariedade entre as mães firma-se na representação simbólica do amor materno, em que a mãe da vítima expõe seus sentimentos de solidariedade e apoio à mãe do assassino.
Assim, são duas as condições de perda de um filho: uma é a da mãe na posição de perder um filho assassinado bruscamente e outra a da mãe na posição de perder um filho para o mundo do crime.
Essa “irmandade” de sentimentos é geralmente aclamada por todas as mães.
Assim, revelá-se que, nos discursos das mães que perderam seus filhos por assassínio, todas acabam por  ser cúmplices e solidárias, até com aquelas mães em relação às quais, pela lógica, isso seria impossível: AS MÃES DOS ASSASSINOS DE SEUS FILHOS. As mães das vítimas reconhecem que essas mães também estão sofrendo, também perderam um filho, e nunca desejam vingança, e sim, punição dos assassinos.

JUSTIÇA X IMPUNIDADE
Para aqueles cuja pessoa amada foi vítima de homicídio, continuar o luto é difícil, senão impossível, até que os aspectos legais do caso sejam resolvidos.
Com a realidade da violência tornando-se parte de suas vidas e com a vivência cruel da impunidade, as mães revelam a construção de uma nova representação: mães que buscam justiça, mães que aparecem nas ruas, que invadem os órgãos públicos, por causa de uma dura realidade que sofrem em comum: A VIOLÊNCIA CONTRA SEUS FILHOS.
Considera-se, ainda, que estas famílias, além da morte dos filhos e da impunidade dos assassinos, trazem a vivência de outras situações múltiplas de violência, num contexto de violência institucional, social, econômica, uma vez que se defrontam com situações relacionadas à justiça como inacessibilidade a autoridades e a informações sobre a resolução dos crimes.
A dor passa a ser uma realidade eternamente presente nas vidas das mães, e é desta dor versus amor que nasce a força para o surgimento da mãe justiceira.
A esperança de reencontrar o filho até não existe mais para essas mães, contudo, permanece a luta, nem que seja pelos outros filhos, pelos filhos de outras mães, para que isso “não volte nunca mais a acontecer”. Essa busca de punição, de que se faça justiça, acaba sendo um motivador, um incentivo de vida.
Com a maternidade a mãe incorpora a função de proteger, cuidar e garantir o bem-estar físico, emocional e social do filho. A perda de um filho representa, para ela, fracasso em sua função materna, e ela se sente roubada em seu papel de proteger e de ser necessária a algo ou alguém. Com o assassinato do filho vem à culpa pela crença de ter falhado em sua proteção, sentindo-se ela responsável pelo que aconteceu, por falhar no dever de cuidar.
Assim, o desejo de justiça se faz indispensável para elas. Quando há a punição do assassino parece que grande parte deste sentimento desaparece, uma vez que as mães podem verificar e dizer que os culpados foram punidos. A condenação, assim, é também uma forma de diminuir a inevitável culpa que elas sentem pelo ocorrido.
Algumas tragédias não escolhem classes sociais, mas o status conta muito quando se trata de reivindicar e garantir direitos. Existe uma constatação evidente de que JUSTIÇA NÃO É SINÔNIMO DE LEI.
Todavia, mesmo neste contexto, as mães sofredoras responsáveis pelos filhos, apeadas de seus direitos, ainda persistem em converter a dor em ação, procurando fazer justiça. A impunidade dos assassinos desvelou uma influência negativa na aceitação da perda do filho e na sua elaboração por parte da mãe.
Podemos dizer que as pesquisas e discussões sobre a questão da morte possuem uma trajetória de conquistas e avanços, mas também um horizonte de muitos desafios, ainda mais quando se pensa em uma rede de apoio em suas diversas áreas – saúde, social, segurança, judicial - para os que vivenciam as perdas.  A dor da perda deveria ser acolhida e compartilhada por esta rede social, que deveria também assegurar amparo e segurança efetiva para a sociedade.
A compreensão das vivências das mães que perderam seus filhos de forma violenta colabora para um olhar mais compreensivo para a perda, possibilitando o enfrentamento da morte com dignidade e apoio. Cria a perspectiva de intervenções profissionais mais adequadas, em que as mães sejam ouvidas e acolhidas. Intervenções capazes de propiciar-lhes melhor superação da dor, a expressão dos seus sentimentos e um reinvestir em suas vidas e desejos. Demonstra ainda, a necessidade de políticas pública para juventude e segurança para sociedade.

(Estudo realizado por: Ana Carolina Jacinto Alarcão, Maria Dalva de Barros Carvalho e Sandra Marisa Pelloso - Universidade Estadual de Maringá - PR/2008).