quinta-feira, 28 de junho de 2012


MORTE...E A DOR DA PERDA


 Morte. A palavra, por si só, já carrega um peso. É a única certeza que temos na vida, a de que todos morreremos um dia. Mas é difícil se preparar para perder alguém. Algumas almas elevadas conseguem lidar bem com as perdas, mas acredito que a grande maioria das pessoas não está pronta para ver arrancado de sua vida alguém que ama. Sentimos uma saudade diferente. É uma saudade amarrada pela certeza de que nunca vai passar. É uma saudade que nos acompanha até encontrarmos o nosso fim. Apenas nos acostumamos a conviver com a ausência, mas não esquecemos, não deixamos de sentir falta… as memórias permanecem, o peito aperta em cada lembrança, e só o tempo mesmo para acalmar o coração…
A compreensão da morte vai depender da crença religiosa de cada um. Cada um interpreta o ato de morrer de uma forma diferente. Para alguns, voltaremos em uma nova encarnação; para outros, ali acaba a vida. Teorias não faltam para tentar explicar a morte… Mas o fato é que é difícil perder alguém.Um vazio parece invadir o peito, a sensação de que você não está vivendo aquilo, uma vontade de que seja tudo um sonho, um desespero que não se consegue explicar… O descontrole inicial passa, e você cai na real: a pessoa já não está em sua vida, não daquele jeito  que você estava acostumado...
Aquela rotina que vocês cumpriam já não existe. Você sempre espera a pessoa chegar naquela hora de costume, mas ninguém bate à porta… No horário do telefonema, ele simplesmente não toca… Ouvir a voz dando bom-dia, ouvir a voz falando qualquer coisa… As fotos trazem lágrimas, você pensa que poderia ter feito tanta coisa a mais, pensa que poderia ter falado tanto mais, pensa que poderia ter feito algo diferente, ainda que não tenha feito nada de errado… Enfrentar a morte é um processo que exige tempo para que consigamos lidar melhor com a situação, com a ausência em si… Eu perdi alguém. E eu nunca havia pensado no quanto dói perder alguém.
Mas a vida segue seu rumo, impiedosa. Os dias continuam passando a cada 24 horas e o resto de sua vida caminha a passos largos, ainda que você precise dar um tempo de tudo. Só que hoje, não temos tempo nem para o luto. Não que ninguém deva se entregar à dor e lá ficar. Não é isso… A questão é que é impossível exigir que funcionemos como se nada tivesse acontecido. É impossível desvincular o emocional das nossas rotinas diárias. Mas a nossa sociedade apressada não quer saber disso. Não temos mais tempo para chorar. Ou então choraremos a caminho de algum lugar, ou enquanto executamos alguma atividade…
A fase de luto não é fácil. Dói, machuca… e machuca muito. Nossas lembranças se viram contra nós, porque trazem à tona muitas das imagens que gostaríamos de esquecer. O mundo não para, os segundos correm, o tempo passa… Sinto falta de termos mais tempo pra gente. Sinto falta de termos tempo pra ficar em casa vendo sessão da tarde e comendo pipoca… Porque um dia nós é que vamos morrer… e a perda me fez pensar no quanto é importante se preocupar com o que você anda fazendo da sua vida… Eu queria poder ter mais tempo pra chorar.
As lágrimas ainda caem, mas o riso já estampa meu rosto, em homenagem aos que se foram… Um dia seremos cada um de nós, deixando esse mundo. Mas enquanto eu estiver nele, escolhi que vou fazer o melhor para ser feliz e viver.  Toda perda nos faz refletir… Eu quero aproveitar cada momento que eu posso ter ao lado das pessoas que amo. Quero aproveitar cada segundo ao lado delas… Chorarei pela perda de cada um que amo, mas farei brilhar no rosto um riso, por ter podido compartilhar tudo o que foi possível enquanto estavam ao meu lado.
(Por Alane Virgínia em 25/04/2009 – Modificado por Liane Taborda Caron)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

HOJE 04 ANOS E 10 MESES SEM A PRESENÇA DA MINHA FILHA ANA CLÁUDIA.



"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."
(Martha Medeiros)
Te amo Ana Cláudia, eternamente te amo minha filha.

quarta-feira, 20 de junho de 2012


APRENDI...E AINDA CONTINUO APRENDENDO.
Que a melhor escola do mundo está nos pés dos mais velhos.

Aprendi.... Que quando se está apaixonado não dá para esconder.
Aprendi.... Que se apenas uma pessoa me disser "Você me fez ganhar o dia!", o meu dia está ganho. 
Aprendi.... Que ter uma criança adormecendo em meus braços é uma das maiores sensações de paz do mundo.
Aprendi.... Que ser generoso é mais importante do que estar certo.

Aprendi.... Que nunca se deve dizer "não" ao presente de uma criança.
Aprendi.... Que eu sempre posso rezar por uma pessoa quando não tenho condições de ajudá-la de outra forma.
Aprendi.... Que não importa quão sério a vida me obrigue ser, todo mundo precisa de um amigo para brincar.
Aprendi.... Que às vezes tudo que uma pessoa precisa é uma mão para segurar e um coração para entendê-la. 

Aprendi.... Que umas simples voltas no quarteirão com meu pai, nas noites quentes de verão, quando eu era criança fez maravilhas em mim quando fiquei adulto.
Aprendi.... Que a vida é como um rolo de papel-higiênico. Quanto mais perto do fim, mais depressa passa.
Aprendi.... Que devemos estar contentes por Deus não nos ter dado tudo que pedimos. 
Aprendi.... Que o dinheiro não compra a elegância.

Aprendi.... Que são aqueles pequenos acontecimentos diários que fazem a vida tão espetacular.
Aprendi... Que debaixo de uma couraça tem sempre alguém precisando de reconhecimento e amor.
Aprendi.... Que Deus não fez tudo em um dia. O que me faz achar que eu posso?
Aprendi.... Que ignorar os fatos não muda a importância deles.

Aprendi.... Que quando se quer ficar "quites" com alguém, apenas estamos deixando que aquela pessoa nos fira de novo. 
Aprendi.... Que o amor, e não o tempo, cura todas as feridas.
Aprendi.... Que o jeito mais fácil de crescer como pessoa é me cercar de pessoas melhores que eu. 
Aprendi.... Que todas as pessoas que encontramos merecem ser recebidas com um sorriso.

Aprendi.... Que não há nada mais doce do que dormir com os filhos e sentir a respiração deles no rosto.
Aprendi.... Que ninguém é perfeito até que eu me apaixone. 
Aprendi.... Que a vida é dura, mas que eu sou mais duro.
Aprendi.... Que as oportunidade não se perdem; alguém vai pegar as que eu perdi.

Aprendi.... Que quando se cultiva tristezas, a felicidade vai bater noutro lugar.
Aprendi.... Que eu gostaria de ter dito mais uma vez a meu pai que eu o amo antes dele morrer. 
Aprendi.... Que se deve usar palavras suaves e macias porque, talvez amanhã, tenhamos que engoli-las. 
Aprendi.... Que um sorriso é a forma mais barata para se melhorar o visual. 
Aprendi.... Que não posso escolher como me sinto, mas que posso escolher como reagir a isto. 

Aprendi.... Que quando seu bebê segura forte seu dedo mindinho, que você foi fisgado para a vida toda.
Aprendi.... Que todo mundo quer viver no topo da montanha, mas que toda a felicidade e o crescimento está na escalada dela.
Aprendi.... Que é melhor dar conselho somente em duas circunstâncias; quando for pedido e quando for uma questão de vida ou morte.
Aprendi.... Que quanto menos tempo eu gastar fazendo uma coisa, mais coisas eu faço.

Maktub
1704 (Rivalcir Liberato)

domingo, 10 de junho de 2012

VENCENDO O DESÂNIMO 


O grande carro de luxo parou diante do pequeno escritório à entrada do cemitério e o chofer, uniformizado, dirigiu-se ao vigia.
- Você pode acompanhar-me, por favor? É que minha patroa está doente e não pode andar, explicou. Quer ter a bondade de vir falar com ela?

Uma senhora de idade, cujos olhos fundos não podiam ocultar o profundo sofrimento, esperava no carro.

- Sou a Sra. Adams, disse-lhe. - nestes últimos dois anos mandei-lhe cinco dólares por semana...

- Para as flores, lembrou o vigia. 

- Justamente. Para que fossem colocadas na sepultura de meu filho.

- Vim aqui hoje, disse um tanto consternada, porque os médicos me avisaram que tenho pouco tempo de vida. Então quis vir até aqui para uma última visita e para lhe agradecer.


O funcionário teve um momento de hesitação, mas depois falou com delicadeza:

- Sabe, minha senhora, eu sempre lamentei que continuasse mandando o dinheiro para as flores...

- Como assim? Perguntou a dama. 

- É que... a senhora sabe... as flores duram tão pouco tempo... 
- E afinal, aqui, ninguém vê... 
- O senhor sabe o que está dizendo? Retrucou a senhora Adams. 
- Sei, sim senhora. Pertenço a uma associação de serviço social, cujos membros visitam os hospitais e os asilos.

- Lá, sim, é que as flores fazem muita falta... 

- Os internados podem vê-las e apreciar seu perfume.

A senhora deixou-se ficar em silêncio por alguns segundos. Depois, sem dizer uma palavra, fez um sinal ao chofer para que partissem.


Meses depois, o vigia foi surpreendido por outra visita. Duplamente surpreendido porque, desta vez, era a própria senhora que vinha guiando o carro.


- Agora eu mesma levo as flores aos doentes, explicou-lhe, com um sorriso amável. 

- O senhor tem razão. Os enfermos ficam radiantes e fazem com que eu me sinta feliz. 
- Os médicos não sabem a razão da minha cura, mas eu sei. 
- É que reencontrei motivos para viver. Não esqueci meu filho, pelo contrário, dou as flores em seu nome e isso me dá forças.

A Sra. Adams descobrira o que quase todos não ignoramos mas muitas vezes esquecemos. Auxiliando os outros, conseguira auxiliar-se a si própria.




Maktub 2465 (A palavra Maktub quer dizer "carta" em árabe, contudo foi traduzida como "está escrito" pelo escritor. É uma coletânea de histórias, palavras, crônicas e outras, publicados diariamente em jornais entre os anos de 1993 e 1994. É um livro com base em histórias e fatos de várias culturas e partes do mundo, tratando-se não de um livro de conselhos, mas de um resumo de filosofia de vida de diversos povos). Rivalcir Liberato.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

DESIDERATA


Siga tranqüilamente entre a inquietude e a pressa, lembrando-se de que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível sem humilhar-se, mantenha-se em harmonia com todos que o cercam.


Fale a sua verdade, clara e mansamente.


Escute a verdade dos outros, pois eles também têm a sua própria história. 


Evite as pessoas agitadas e agressivas: elas afligem o nosso espírito.


Não se compare aos demais, olhando as pessoas como superiores ou inferiores a você: isso o tornaria superficial e amargo. 


Viva intensamente os seus ideais e o que você já conseguiu realizar.


Mantenha o interesse no seu trabalho, por mais humilde que seja, ele é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos. 


Seja prudente em tudo o que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas. Mas não fique cego para o bem que sempre existe. Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo. 


Seja você mesmo. Sobretudo, não simule afeição e não transforme o amor numa brincadeira, pois, no meio de tanta aridez, ele é perene como a relva. 


Aceite, com carinho, o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os impulsos inovadores da juventude. 


Cultive a força do espírito e você estará preparado para enfrentar as surpresas da sorte adversa. Não se desespere com perigos imaginários: muitos temores têm sua origem no cansaço e na solidão.


Ao lado de uma sadia disciplina conserve, para consigo mesmo, uma imensa bondade. Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui e, mesmo se você não pode perceber, a terra e o universo vão cumprindo o seu destino. Portanto, esteja em paz com Deus, qualquer que seja sua forma de concebê-lo. E sejam quais forem sua lida e suas aspirações, na barulhenta confusão da vida, conserve, no mais profundo do seu ser, a harmonia e a paz. 


Com todos os enganos, penas e sonhos desfeitos, este é ainda um mundo maravilhoso. 


Caminhe com cuidado, faça tudo para ser feliz e partilhe com os outros a sua felicidade. 



(Desiderata - do Latim Desideratu: Aquilo que se deseja, aspiração. Autoria: Max Ehrmann - Os poemas filosóficos em prosa Uma Prece e Desiderata são considerados as obras-primas de Max Ehrmann. Entretanto, foi Desiderata, escrito em 1927, quando ele tinha 55 anos, que tornou-se mundialmente conhecido. O poema trata de como podemos alcançar a felicidade nesta vida). Max Ehrmann (1872-1945).





quarta-feira, 30 de maio de 2012

AINDA ME PERGUNTANDO: COMO PODEMOS VIVER COM A PERDA DE NOSSOS(AS) FILHOS(AS)?


Ser mãe é padecer no paraíso, quanta alegria e celebração à mulher que pode dizer isso – ela é mãe de filho vivo. Mãe de filho morto é mulher que desce ao inferno da dor, do desespero e da depressão. Sua vida, de céu não tem nada, há apenas um quedar-se insone, ansioso e impotente diante de um destino que não pode mudar. Se as mães pudessem pressentir a morte inesperada de filhos, em crimes e acidentes, ou salvá-los de morte anunciada por enfermidade que vai se estendendo, simbolicamente tentariam aquilo que é fisiologicamente impossível: pelo mesmo e agora já inexistente cordão umbilical, através do qual os colocaram no mundo, os trariam de volta ao aconchego do útero. Sim, é nele, útero, que a constante dor emocional da morte, quase sempre psicossomatizada, lateja fisicamente. Psicólogos afirmam: “Muitas mulheres, ao perderem suas crianças, sentem pontadas no útero” – útero que já foi preenchido pelo feto, feto que virou filho, filho que virou sepultura. “A dor não passa jamais”, diz Luciana Mazorra, psicóloga clínica e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 
“Emocional e fisicamente, é como se ela fosse mudando de lugar e machucando a mãe em espaços diversos.” Assim fala a teórica.
“O falecimento de um filho é dor que dói na alma e no corpo.”  “Não há superação”, mas tão somente adequação no dia a dia ao sofrimento.
 Existem na vida dois fenômenos irreversíveis, ou seja, a maternidade e a morte. A mulher é uma "mulher" e quando dá à luz passa a ser uma "mulher-mãe". Se seu filho morre, ainda assim ela continua sendo mãe. Novamente aqui, reforça-se a tese com uma fala dolorida: “Não existe ex-mãe”.
Para todas essas mães que perderam seus filhos a vida muda naquilo que é mais perceptível, ou seja, na rotina, na saúde, no ânimo e nos projetos. Mas muda também, e em doses alucinantes de padecimento, naquilo que é inconsútil, mas se torna marcado para sempre: a alma.
É como amputar um braço, não se recupera mais. É uma dor que é um buraco que nada preenche.” Falou-se em alma da mulher-mãe, falou-se no desejo impotente de amparar o que já é inerte e assim faz-se necessário voltar-se aqui à teoria do luto. O que é essa alma? Como se dá o processamento da irreversível perda? O projeto de maternidade, bem como a maternidade consumada, é para a mulher uma espécie de “prolongamento de seu ego”, assim ensinou humanidade o criador da psicanálise, Sigmund Freud, e dois de seus mais geniais seguidores – embora tenham rompido com o mestre no andar da carruagem do conhecimento humano – Melanie Klein e Jacques Lacan. Pode-se dizer, mesmo, que “é um ato narcisista da mulher e que na criança ela vai projetar a si própria, o que não quer dizer que não a ame profundamente e para sempre”. 
Assim, quando o filho morre, três dores se sobrepõem. Em primeiro lugar, o “espelho-lago da mitologia de Narciso”, presente em todos nós, se parte e muitas mães órfãs mal conseguem olhar-se de fato num espelho de verdade.
Em segundo lugar, a morte do filho interrompe toda a perspectiva de futuro que a mãe nele depositara, inclusive o futuro de ver seus genes se fortificarem e se perpetuarem – essa é parte emocional e novamente não tangível, mas contam também os projetos visíveis de vê-lo estudar, viajar, fazer dele uma pessoa e tê-lo como uma grande e constante companhia. Com ele vivo, o mundo é uma escada rolante subindo; se ele morre, nem se pode dizer que essa escada rolante pare. Na verdade, ela desce despencando. 
Terceira e finalmente, a morte de um filho interrompe o inexorável, mas natural caminhar do tempo: estamos culturalmente preparados para assistir, primeiro, à morte de nossos bisavós, avós e pais – ou seja, daqueles que primeiro chegaram ao mundo. O falecimento do descendente, portanto, interrompe essa ordem estabelecida de vida e morte e a mulher-mãe enlouquece ao triste estilo dos incrédulos que não se cansam de perguntar “por quê?, por quê? por quê?”. 
Mas há também uma outra, novamente a da alma, a da ordem natural interrompida de nascimento, crescimento, envelhecimento e morte. Há o desespero que somente a desesperada sabe qual é. 
 Na subversão do tempo dos vivos e dos mortos, quando gente pequena morre antes de gente grande, ou na “traição do tempo”, como às vezes preferem definir algumas mulheres enlutadas, já não vale o lugar-comum que repetimos e julgamos toda dor aplacar: “Dê tempo ao tempo que a dor passa.” Não. Para as órfãs de suas proles o tempo estanca e não há lenitivo; e entre aqueles que se especializam em cuidar delas é impossível quantificar um período de luto. “Perder um filho é o maior stress que o ser humano pode passar. Não dá para dizer quanto dura esse luto, ele pode ser eterno”, diz a psicóloga Éster Affini, especializada no atendimento desses casos. 
Que nome dar a essa dor? As mulheres-mães-órfãs choraram. As mulheres-mães-órfãs responderam: – Essa dor não tem nome. 


Texto de Antonio Auggusto João- 04/04/2010, modificado por Liane T. Caron)

terça-feira, 22 de maio de 2012

04 ANOS E 09 MESES SEM VOCÊ ANA CLÁUDIA

Dia 08 de Maio de 2012, fomos surpreendidos aqui em casa por pessoas nos ligando e enviando mensagens pelo Facebook nos perguntando se havíamos lido um dos jornais locais aqui de Curitiba.
- Dissemos que não. 
Disseram-me que havia uma reportagem falando sobre a morte da minha amada filha Ana Cláudia que está prestes a completar 05 anos em agosto. E para minha tristeza bem próximo do "Dia das Mães". Não bastando à falta da minha filha ainda tendo que reviver todos os dias de angustia e tristeza da época do acontecimento. Porém retirei algumas linhas dessa reportagem que falam de minha filha que me amenizaram após tantas informações relatadas. Reescrevo-as logo abaixo da sua fotografia.
                                SAUDADE ETERNA FILHA. TE AMAMOS.


As adolescentes em geral são bonitas. Algumas são mais bonitas que outras. Ana Cláudia Caron pertencia a este grupo de garota mais bonita que as outras. Cabelos negros, olhos astutos e perscrutantes, parecendo duas ameixas negras num rosto com sorriso suave. Algumas sardas sob os olhos e um pequeno piercing prateado na parte direita do nariz completavam o semblante de garota que os amigos definiam como "meiga e cheia de vida". Ela tinha namorado e cursava o primeiro ano de Educação Física na Universidade Federal do Paraná. Embora o sobrenome Caron tenha origem teutônica, Ana Cláudia em seus 18 anos de idade recordava um belo exemplar de beleza mediterrânea. 
Esta foi a imagem que a garota deixou em suas últimas fotografias. Fotografias feitas quando estava viva.
(por Edilson Pereira)

domingo, 13 de maio de 2012


MINHA HOMENAGEM À TODAS AS MÃES QUE ASSIM COMO EU TEM UM ANJO JUNTO DE DEUS


MATER

Ei-la!...- senhora e serva, entre humana e divina,
Por mais a dor, por dentro, a espanque ou despedace,
Carreia a paz no gesto e o sorriso na face,
Fala e desvenda o rumo, abençoa e ilumina.

Anjo renovador, tem no lar a oficina,
Onde o serviço exclui todo prazer mendace,
Ao seu toque de luz, a esperança renasce,
Suporta, recompõe, trabalha, sofre, ensina.

Mãe, um dia, quis Deus mostrar-se à vida humana,
Fez-te santa e mulher, escrava e soberana,
Vinculada nos Céus, de homenagens prescindes!...

Deus se revela em ti, no amor alto e perfeito,
Por isso, trazes, Mãe, nos recessos do peito,
A ternura sem par e a bondade sem limites.

 
pelo Espírito Carlos Bittencourt - Do livro: Mãe, Médium: Francisco Cândido Xavier.

segunda-feira, 7 de maio de 2012


MENSAGEM DE PERDA
Nossos Pais descobrem que um ser está para nascer e trazer as suas vidas um brilho de luz.
A cada sorriso, palavra, olhar ou suspiro, uma cachoeira de lágrimas parece inundar seus olhos de alegria e paz.
Nos tornamos adolescentes e a busca pela independência é cada vez mais clara. A nossa vontade de conquistar espaço nos distância de quem sempre nos amará, esquecemos a família. Esquecemos de dizer o quanto os amamos.
Mas um dia nossos entes queridos se vão. Quando menos esperamos e sem nenhum aviso, Deus tira de nós o que mais amamos.
Em nosso peito apenas a dor de um punhal que a cada "meus pêsames" parece pesar.
Nossos pensamentos divulgam para cada gota de sangue em nosso corpo a culpa de nunca ter dito: "te amo"; "preciso de você", "estou sempre aqui", "me preocupo", e como se não bastasse vem à frase mais forte "a culpa foi minha".
Nossos sonhos caem por terra, nossa independência parece perder a importância.
E a resposta para essa dor? O tempo e uma certeza:
Quando amamos transmitimos em pequenos atos e gestos, e as palavras não importam mais; quando precisamos de alguém, sentimos sua presença, e as palavras não têm mais sentido; quando nos sentimos sós e abandonados, surge uma palavra ou um gesto e descobrimos que nunca estaremos sós.
E a culpa? A culpa é da vida que tem inicio, meio e fim. A nossa culpa está apenas em amar tanto e sentir tanto perder alguém.
Mas o tempo é remédio e nele conquistamos o consolo, com ele pensamos nos bons momentos. E com um pouco mais de tempo, transformamos nossos entes queridos em eternos companheiros.
Nossos sonhos ganham aliados, nossa independência ganha acompanhantes, nossa vida conquista anjos. E no fim apenas a saudade e uma certeza:
Não importa onde estejam, estarão sempre conosco.
 
(Autor Desconhecido, mensagens e poemas)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

MEU(MINHA) FILHO(A) MOSTRA-ME O CAMINHO

                   Se pudéssemos aceitar a morte do(a) nosso(a) filho(a)...Se conseguíssemos entendê-la sem enlouquecer de angústia... 


          Vamos para sempre ser vulneráveis a esta perda. 
         A nossa vida passa correndo mas com a dor torna-se espessa e vagarosa até ao dia em que percebemos que o tempo não tem tempo.

        Passam os anos e quando paramos para lembrar parece que foi ontem. Reparem: Ao olharmos para trás já nem nos lembramos de como éramos em crianças...Da nossa adolescência ficaram só pequenos pontos na nossa memória. Tudo é lembrado, por vezes, por fotos guardadas pelos nossos pais ou por nós. É angustiante ficar para sempre interrogando como seria se... Não há retorno...não podemos resolver nada do passado...é como um copo partido, nunca mais nele podemos saciar a nossa sede, mas, a água continua a dar-se através de outros copos ou mesmo com as nossas mãos em concha. É tudo uma questão de vontade.

        Sinto, por vezes, uma dor muito fina quando lembro e sinto viva a ausência desse(a) filho(a) que tanto amei e  então simplesmente fujo... Quero que ele(a) esteja em mim como uma criança que constantemente me mostra o caminho mais simples para continuar:.a serenidade, o amor, a amizade.

        Tudo é efemero... É preciso acreditar que a tranquilidade virá. Venceremos um dia a distância...é preciso dar tempo.



(Texto de: Aida Nuno, modificado por Liane T. Caron)

domingo, 22 de abril de 2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

AMIGOS(AS)




As tragédias e situações tristes são aquelas que mais nos fazem retroceder no tempo, e nos tornam prisioneiros dessas lembranças. Quando perdemos um filho, ou filha, isso dura para sempre, só acaba quando for nossa vez de partir. É aí que entra essa corrente de solidariedade, as manifestações amigas, e o resultado que isso causa em nossa auto-estima, fator fundamental para que possamos enfrentar esses momentos adversos. São manifestações que atuam em nossa cabeça como elementos fortificantes, tonificadores, e servem para que possamos avaliar a importância da vida e de como podemos aprender a viver, apesar das perdas que retiram de dentro de nós algumas substâncias que nos fazem falta. Ou até mesmo, nos sentimos como se tivéssemos perdido um pedaço de nós mesmos. Na verdade é isso mesmo que ocorre quando se perde um filho.


Mas é também verdade que nossas vidas continuam, e, assim como por outro tipo de fatalidade algum indivíduo perde parte de seu corpo e luta para sobreviver com o que lhe resta, também nós que perdemos entes queridos sabemos que devemos seguir adiante, superando essas perdas. Embora jamais as esqueceremos, sempre nos lembraremos e nunca nos faltarão lágrimas para vertermos por suas lembranças.


Mas, caros amigos e amigas – os que eu conheço pessoalmente, e os que a rede social me possibilitou conhecer de longe – tenham certeza que o fortificante para suportarmos isso vem das manifestações de carinho, apreço e solidariedade. Por isso, dedico a todas as pessoas queridas que me enviaram suas mensagens, pelo facebook, por email, ou por telefone (e aquelas que se irmanam comigo no pensamento, que são e sempre serão meus (minhas) amigos (as).


(P.S. Faço das palavras do Romualdo as minhas palavras, pois, descrevem exatamente o que sinto, e que se não fossem minhas novas amigas da mesma dor me amparando, talvez eu já não estivesse mais aqui. O meu muito obrigada a todas vocês que me ampararam desde o dia que aconteceu a minha tragédia até hoje. Meu carinho e afeto por todas vocês).


Parte integrante do texto "Amigo(a) é coisa Prá se Guardar, no Lado Esquerdo do Peito" de Romualdo Pessoa - Professor de Geopolítica no Instituto de Estudos Sócioambientais da Universidade Federal de Goiás (IESA-UFG) - Perdeu sua filha Ana Carolina Oliveira Campos em 13 de Dezembro de 2007 com 10 anos de idade.

terça-feira, 17 de abril de 2012

ENXUGAR LÁGRIMAS



Por mais que se diga que a morte faz parte do ciclo da vida, sempre temos a impressão de que ela chega cedo demais, surpreendendo nossos sentimentos e atitudes, nossa vida toda. 

Por mais que se diga que a morte não mata o amor, quando a separação física acontece e sem a possibilidade de retorno, nossa sensibilidade estremece e precisamos da ajuda dos amigos. 

Por mais que se diga que a alma é imortal e a vida continua, quando temos que devolver ao Céu uma pessoa querida, nossos sentimentos tão humanos afloram confusos em variadas gamas. 

Sei que você acredita, sim, na vida eterna, acredita que Deus é Pai e nós somos filhos amados... mas você precisa de um tempo para se adaptar a esta nova fase da vida, sem aquela pessoa querida que lhe deixou bens genéticos, espirituais, culturais e materiais. 

Que Deus acolha seus sentimentos e suas preces feitas de silêncio e lágrimas! Que Deus ilumine você e a cada um de sua família nas decisões que devem tomar e que as bênçãos do Céu sejam ainda mais abundantes! 

Que a saudade, a tristeza, raiva, o medo e a insegurança sejam apenas o paciente prenúncio de um revigorar na fé, na compreensão da vida, na esperança e no amor! 

Que possa chorar o tempo, enquanto descobre as razões para enxugar suas lágrimas! Cristalinas e silentes, elas são preces que sobem ao Céu, orvalhando os caminhos percorridos, lavando lembranças, purificando a alma. 

Ensine sua SAUDADE a abraçar a ESPERANÇA de um encontro feliz e esteja atenta para receber os PRESENTES que vêm do CÉU! 

Que você tenha sonhos lindos e que a realidade acolha a sua dor e lhe devolva flores de SERENIDADE e PAZ 



Quando penso no Céu, procuro vislumbrar o encanto de tantas pessoas, que nem se conheceram aqui na Terra e têm a oportunidade de se encontrarem na eternidade. 

(Texto de: Irmã Zuleides Andrade)


domingo, 8 de abril de 2012

ORAÇÃO DE PÁSCOA


Páscoa significa renascimento, renascer.
 Desejo que neste dia, em que nós cristãos, comemoramos o seu renascimento para a vida eterna, possamos renascer também em nossos corações.
 Que neste momento tão especial de reflexão possamos lembrar daqueles que estão aflitos e sem esperanças. 
Possamos fazer uma prece por aqueles que já não o fazem mais, porque perderam a fé em um novo recomeçar, pois esqueceram que a vida é um eterno ressurgir.
 Não nos deixe esquecer que mesmo nos momentos mais difíceis do nosso caminho, tú estás conosco em nossos corações, porque mesmo que já tenhamos esquecido de ti, você jamais o faz. 
Pois, padeceste no martírio da cruz em nome do Pai e pela humanidade, que muitas e muitas vezes esquece disso. 
Esquecem de ti e do teu sacrifício. 
Quando agridem seu irmão, Quando ignoram aqueles que passam fome, Quando ignoram os que sofrem a dor da perda e da separação, Quando usam a força do poder para dominar e maltratar o próximo, Quando não lembram que uma palavra de carinho, um sorriso, um afago, um gesto podem fazer o mundo melhor.
 Jesus... Conceda-me a graça de ser menos egoísta, e mais solidário para com aqueles que precisam. Que jamais esqueça de ti e de que sempre estarás comigo não importa quão difícil seja meu caminhar. Obrigado Senhor, Pelo muito que tenho e pelo pouco que possa vir a ter. Por minha vida e por minha alma imortal. 
Obrigado Senhor! Amém.


(Autor desconhecido)

terça-feira, 3 de abril de 2012

FLORES DE SAUDADE 

Se pretendemos cultuar a memória de familiares queridos, transferidos para o Além, elejamos o local ideal: nossa casa. 
Usemos muitas flores para enfeitar a Vida, no aconchego do lar: nunca para exaltar a morte, na frieza do cemitério. 
Eles preferirão, invariavelmente, receber nossa mensagem de carinho, pelo correio da saudade, sem selagem fúnebre. 
É bom sentir saudade. Significa que há amor em nossos corações, o sentimento supremo que empresta significado e objetivo à existência. 
Quando amamos de verdade, com aquele afeto puro e despojado, que tem nas mães o exemplo maior, sentimo-nos fortes e resolutos, dispostos a enfrentar o Mundo. 
E talvez Deus tenha inventado a ilusão da morte para que superemos a tendência milenar de aprisionar o amor em círculos fechados de egoísmo familiar, ensinando-nos a cultivá-lo em plenitude, no esforço da fraternidade, do trabalho em favor do semelhante, que nos conduz às realizações mais nobres. 
Não permitamos, assim, que a saudade se converta em motivo de angústia e opressão. Usemos os filtros da confiança e da fé, dulcificando-a com a compreensão de que as ligações afetivas não se encerram na sepultura. O Amor, essência da Vida, estende-se, indestrutível, às moradas do Infinito, ponte sublime que sustenta, indelével, a comunhão entre a Terra e o Céu... 
Há, pois, dois motivos para não cultivarmos tristeza: 
Sentimos saudade - não estamos mortos... 
Nossos amados (não) mortos - sentem saudades... 
E se formos capazes de orar, contritos e serenos, nesses momentos de evocação, orvalhando as flores da saudade com a bênção da esperança, sentiremos a presença deles entre nós, envolvendo suavemente nossos corações com cariciosos perfumes de alegria e paz.


(Do Livro:Quem tem medo da morte de Richard Simonetti) 

segunda-feira, 26 de março de 2012

AVE MARIA DAS MULHERES

Mãe, 



Aqui, agora e a sós
Quero lhe pedir por todas nós
Por aquelas que foram escolhidas
Para dar a vida
Mulheres de todas as espécies
De todos os credos, raças e nacionalidades ;


Todas aquelas nas quais a vida 
Está envolvida em sorrisos, lágrimas,
tristezas e felicidades
Aquelas que sofrem por filhos 
que geraram e perderam
As que trabalham o dia inteiro
Em casa ou em qualquer emprego;


Quero pedir pelas mães
Que penam por seus filhos doentes
Quero pedir pelas meninas carentes
E pelas que ainda estão dentro de um ventre;


Pelas adolescentes inexperientes
Pelas velhinhas esquecidas em asilos 
Sem abrigo, sem família, carinho e amigos 
Peço também pelas mulheres enfermas
Que em algum hospital
aguardam pela sua hora fatal;


Quero pedir pelas mulheres ricas 
Aquelas que apesar da fortuna
Vivem aflitas e na amargura
Peço por almas femininas mesquinhas, 
pequenas e sozinhas
Por mulheres guerreiras a vida inteira
Pelas que não têm como dar a seus filhos
o pão e a educação;


Peço pelas mulheres deficientes
Pelas inconseqüentes
Rogo pelas condenadas, 
aquelas que vivem enclausuradas
Por todas que foram obrigadas
a crescer antes do tempo
Que foram jogadas na lavoura
Ou em alguma cama devastadora;


Rogo pelas que mendigando nas ruas
Sobrevivem apesar dessa tortura
Pelas revoltadas, 
as excluídas e as sexualmente reprimidas;


Peço pela mulher dominadora e pela traidora
Peço por aquela que sucumbiu sonhos dentro de si
Por todas que eu já conheci
Peço por mulheres solitárias e pelas ordinárias
As mulheres de vida difícil 
e que fazem disso um ofício
E pelas que se tornaram voluntárias
por serem solidárias;


Rogo por aquelas que vivem acompanhadas
Embora tristes e amarguradas
E por todas que foram abandonadas
As que tiveram que continuar sozinhas
Sem um parceiro, um amigo, um ombro querido;


Peço pelas amigas
Pelas companheiras
Pelas inimigas
Pelas irmãs e pelas freiras
Suplico por aquelas que perderam a fé
Que se distanciaram da esperança
Quero pedir por todas que clamam por vingança
E com isso se perdem em sua inútil andança;


Rogo pelas que correm atrás de justiça
Que a boa vontade dos homens as assista
Peço pelas que lutam por causas perdidas
Pelas escritoras e as doutoras
Pelas artistas e professoras
Pelas governantes e pelas menos importantes
Suplico pelas fêmeas
que são obrigadas a esconder seus rostos
E amputadas do prazer vivem no desgosto;


Quero pedir também pelas ignorantes
E por todas que no momento estão gestantes
Por aquela mulher triste dentro do coração
Que vive com a alma mergulhada na solidão
Por aquela que busca um amor verdadeiro
Para se entregar de corpo inteiro
E peço pela que perdeu a emoção
Aquela que não tem mais paz dentro do coração
E rogo, imploro, por aquela que ama
E que não correspondida, vive uma vida sofrida
Aquela que perdeu o seu amor
E por isso, sua alma se fechou
Por todas que a droga destruiu
Por tantas que o vício denegriu
Suplico por aquela que foi traída
Por várias que são humilhadas
E pelas que foram contaminadas;


Mãe,
quero pedir por todas nós
Que somos o sorriso e a voz
Que temos o sentimento mais profundo
Porque fomos escolhidas tanto quanto você
Para gerar e, apesar de qualquer coisa,
Amar...
Independente de quem forem nossos filhos
Feios ou bonitos
Amáveis ou rebeldes
Perfeitos ou deficientes
Tristes ou contentes


Mãe, 
ajuda-nos a continuar nessa batalha
Nessa guerra diária
Nessa luta sem fim
Ajuda-nos a ser feliz como a gente sempre quis
Dai-nos coragem para continuar
Dai-nos saúde para ao menos tentar
Resignação para tudo aceitar
Dai-nos força para suportar nossas amarguras
E apesar de tudo 
continuarmos a ser sinônimo de ternura;


Perdoa-nos por nossos erros
E por nossos insistentes apelos
Perdoa-nos também por nossas revoltas
Nossas lágrimas e nossas derrotas
E não nos deixe nunca mãe, perdermos a fé
E sempre que puder
Peça por nós ao Pai
E lembre-lhe que quando ele criou EVA
Não deixou com ela nenhum mapa de orientação
Nenhum manual com indicação
Nenhuma seta indicando o caminho correto
Nenhuma instrução de como viver
De como, a despeito de tudo vencer
E mesmo assim.....conseguimos aprender.
Amém!


(Silvana Duboc)

domingo, 18 de março de 2012


AS DORES CAUSADAS PELA MORTE DE PESSOAS QUERIDAS          VESTEM-SE DE INFINITAS MANEIRAS

As dores causadas pela morte de pessoas queridas vestem-se de infinitas maneiras. Cada um tem uma história a contar. Crianças que perdem os pais, pais que sepultam filhos, esposos amados que se separam pela espada da morte. Amigos que sentem o silêncio da ausência de alguém com quem partilhavam vida e afeto. Mas há cenas que ultrapassam a dor cotidiana das mortes anunciadas e esperadas, ou mesmo inesperadas pela crucial violência. Recordo dois exemplos, um arrancado da memória bem passada e outro recente.

Lá, pelos idos da 2ª Guerra Mundial, a insânia perversa do nazismo arrancou com violência uma multidão de crianças pequenas dos braços amorosos das mães, amontoando-as num vagão que as conduziu à morte no Campo de Concentração. O grito lancinante de dor das mães era somente abafado pelo vozerio estúpido dos brutais soldados e pelo choro desesperado das crianças. Cena lancinante! Crianças não foram feitas para morrer!

Talvez o leitor tenha visto e se lembre da tocante imagem daquela mulher com o rosto transtornado de dor e com os braços estendidos em direção aos quatro caixões dos três filhos assassinados pelo pai que depois se suicidara. Ali estava o fim de seus amores da terra. E diante de tanto sofrimento, que palavra humana temos? Somente o silêncio.

A primeira pergunta, que nos vem à mente, é a que o papa Bento XVI, na visita ao campo de concentração de Auschwitz na Polônia, se fez: "Onde estava Deus naqueles dias? Por que ele se calou então? Como pôde tolerar este excesso de destruição, este triunfo do mal?". Ousaria responder: misturando suas lágrimas divinas com as das mães.

Nenhuma cultura encontrou outra resposta para a morte a não ser sepultar com amor, cuidado e reverência os mortos. Antropólogos reconhecem no sepultamento os primeiros sinais de humanidade, separando-nos do mundo animal. O animal cai morto e aí fica. 
O ser humano é enterrado com ritos, símbolos e com orações fúnebres. Tudo pode terminar aí, mas mesmo assim o ser humano faz questão de sepultar seus semelhantes.

Horácio, o poeta latino, acreditou que atravessaria o esquecimento da morte pela beleza dos versos. Sem modéstia, dizia que erguera com eles um "monumento mais perene que o bronze". Assim lutam as culturas contra a morte, tão terrível ela parece ser. 
E os humanos do lado de cá tecem honras aos mortos, erguem-lhes mausoléus, dão-lhes os nomes a praças e ruas, enfim inventam mil artifícios para os reterem entre nós. Mas sabem que tudo isso não dá vida a ninguém além da morte. Atenua-se a dor imediata, fica a latente e profunda. 
É simbólica a frase que está na entrada do Cemitério do Bonfim de Belo Horizonte, MG: "morituri mortuis" - "os que irão morrer aos que já morreram". Lá estão os túmulos desde sepulcros ao rés-do-chão (casa ou andar de edifício que fica ao nível do solo) até monumentos faustosos.

A fé judaica debateu-se durante séculos com tal problema. E a palavra revelada foi fazendo caminho pela história de um silêncio quebrado pela posteridade até chegar a luz luminosa da ressurreição, passando pela escuridão muda do sheol (é o local de purificação espiritual ou punição para os mortos, um local o mais distante possível do céu). 
Viemos, nós cristãos, depois e na esteira de Israel. Nela nasceu Jesus e com a linguagem da ressurreição exprimiu com clareza o próprio destino depois da morte. Então começou a ensinar-lhes que o Filho do homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, que devia ser morto e ressuscitar depois de três dias (Marcos 8,31).

Ressuscitou. Não está aqui, disse o anjo às mulheres (Mc 16, 6). Essa mensagem ecoa no coração da fé cristã até o dia de hoje. Temos na fé somente duas palavras a dizer aos que sofrem com a ausência triste do morto querido. Deus é o primeiro a pôr-se ao lado do golpeado pela dor. E em gesto de solidariedade mostra-nos o Filho que lhe foi arrancado pela violência da maldade humana. É a solidariedade do próprio Deus conosco no sofrimento. E depois em gesto ulterior (que chega ou acontece depois) mostra o túmulo vazio. Já não se encontra lá, perdido na pura corrupção, no nada abissal. Vive, e de uma vida em plenitude.

Assim os mortos em Cristo - e esperamos que todos os nossos mortos o sejam - participam de igual vida. Todos que morremos em Adão ressuscitaremos em Cristo. Que a fé na ressurreição, se não consegue secar todas as lágrimas da terra, rasga, porém, horizonte de esperança e anuncia encontro na luz da eternidade.

Postado por Erick Ramon (Blog Vocacionados de Deus e Maria) 22/02/2011

domingo, 11 de março de 2012

SER MULHER É...


É viver mil vezes em apenas uma vida, 
é lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora, 
é estar antes do ontem e depois do amanhã, 
é desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos. 


Ser mulher é caminhar na dúvida cheia de certezas, 
é correr atrás das nuvens num dia de sol 
e alcançar o sol num dia de chuva. 


Ser mulher é chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza, 
é cancelar sonhos em prol de terceiros, 
é acreditar quando ninguém mais acredita, 
é esperar quando ninguém mais espera. 


Ser mulher é identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa, 
é ser enganada e sempre dar mais uma chance, 
é cair no fundo do poço e emergir sem ajuda. 


Ser mulher é estar em mil lugares de uma só vez, 
é fazer mil papéis ao mesmo tempo, 
é ser forte e fingir que é frágil pra ter um carinho. 


Ser mulher é se perder em palavras 
e depois perceber que se encontrou nelas, 
é distribuir emoções que nem sempre são captadas. 


Ser mulher é comprar, emprestar, alugar, 
vender sentimentos, mas jamais dever, 
é construir castelos na areia, vê-los desmoronados 
pelas águas e ainda assim amá-las. 


Ser mulher é saber dar o perdão, 
é tentar recuperar o irrecuperável, 
é entender o que ninguém mais conseguiu desvendar. 


Ser mulher é estender a mão a quem ainda não pediu, 
é doar o que ainda não foi solicitado. 


Ser mulher é não ter vergonha de chorar por amor, 
é saber a hora certa do fim, 
é esperar sempre por um recomeço. 


Ser mulher é ter a arrogância de viver apesar dos dissabores, 
das desilusões, das traições e das decepções. 


Ser mulher é ser mãe dos seus filhos, 
e dos filhos de outros e amá-los igualmente. 


Ser mulher é ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem, 
é desbravar caminhos difíceis em instantes inoportunos 
e fincar a bandeira da conquista. 


Ser mulher é entender as fases da lua por ter suas próprias fases. 
É ser "nova" quando o coração está à espera do amor, 
ser "crescente" quando o coração está se enchendo de amor, 
ser "cheia" quando ele já está transbordando de tanto amor 
e "minguante" quando esse amor vai embora. 


Ser mulher é hospedar dentro de si o sentimento do perdão, 
é voltar no tempo todos os dias e viver por poucos instantes 
coisas que nunca ficaram esquecidas. 


Ser mulher é cicatrizar feridas de outros 
e inúmeras vezes deixar as suas próprias feridas sangrando. 




(Autor Desconhecido)




segunda-feira, 5 de março de 2012


PARA PAIS QUE PERDERAM FILHOS




 A dor de perder um(a) filho(a) é para sempre?


 
A perda de um filho implica num tipo muito particular de luto, pois solicita adaptações tanto sob os aspectos individuais de cada um dos pais no enfrentamento desta situação, como em adaptações na relação com o(a) esposo(a), no sistema familiar e na sociedade.


Quando perdemos um filho perdemos nossa perspectiva de futuro pois é neles que garantimos a possibilidade de realizar todos os sonhos e projetos que não conseguimos em nossas próprias vidas. Um filho não é apenas uma extensão biológica de seus pais, mas também psicológica, por isso temos a sensação que perdemos um pedaço de nós.


Estou ficando louco?
 
O luto por um filho é marcado por muita culpa e revolta, e por algum tempo chegamos a"brigar" com Deus, por não conseguir entender (aceitar) o porque de estar vivendo uma dor tão intensa.
As reações ligadas à perda de um filho dependem de alguns fatores como:


 - a relação prévia entre pais e filho. Por exemplo: quando existem conflitos no relacionamento, os pais sentem-se mais culpados após a perda de seu filho.


 - a idade do seu filho: não existe uma idade pior, mas em cada etapa da vida existem fatores que dificultam a elaboração da perda, como por exemplo na adolescência, fase em que existe maiores chances de conflitos entre pais e filhos.


 - as circunstâncias da perda: o que aconteceu, como aconteceu, as causas da perda.


Um número grande de sintomas fisiológicos podem acompanhar as reações psicológicas e sociais dos pais, como por exemplo: anorexia, distúrbios gastrointestinais, perda de peso, insônia, cansaço excessivo, choro, palpitações, estresse, perda do desejo sexual ou hipersexualidade, falta de energia e retardo psicomotor, respiração curta.


E o que acontece no casamento?
 
O casamento sofre um grande impacto com a perda de um filho. As características do relacionamento obviamente serão afetadas pela maneira como cada um dos parceiros expressa sua dor. A comunicação tende a complicar-se pois a mãe pode sentir-se sozinha em seu luto, enquanto o pai pode ver-se lutando para conter sua dor a fim de poupar o sofrimento da esposa. Estas tentativas de evitar o sofrimento do outro, muitas vezes gera um distanciamento tão grande nos casais, que não é incomum ocorrerem separações após a perda de um filho.


Não basta a perda do meu filho(a). Estou sofrendo muito por outras mudanças. Por quê?


Quando perdemos um filho, perdemos também todas as suas funções explícitas e implícitas dentro do funcionamento familiar, por exemplo: companheiro da mãe, o "bode expiatório", o apaziguador, etc. Neste momento, podem ocorrer outros tipos de perda, como a separação dos pais, dificuldades financeiras após os gastos com o funeral.
   
O que eu faço com meu filho que está vivo?
 
Não é incomum os pais atribuírem qualidades santificadas ao filho, como "o favorito", "melhor", "mais sensível", ou "especial". Isto pode intensificar as experiências de luto dos pais, como dos irmãos. Podem acontecer as comparações entre os filhos vivos e o filho idealizado que morreu. É bom lembrar que esta criança também está sofrendo pois perdeu um irmão e porque vê seus pais sofrerem de forma tão intensa como se ele não fosse capaz de amenizar dor nenhuma. Isto pode trazer sérias complicações para o desenvolvimento psicológico deste irmão. Por outro lado os pais vivem sentimentos ambivalentes em relação aos filhos que "sobreviveram" pois sentem medo de investir afetivamente nestes, ou por outro lado, passam a superproteger, com medo de perder estes também. Isto muitas vezes tem um caráter de castigo por terem sobrevivido no lugar do irmão morto.


Como posso lidar com o meu luto?
 
Só você sabe o que esta perda representou para você, portanto respeite-a.Se você entender o seu ritmo e seus limites para enfrentar a adaptação a esta perda, você irá lentamente se organizando diante deste sofrimento. Esta dor é para sempre? De certa forma sim, porque um vínculo com um filho é único e para sempre, mesmo que a distância. O que acontece é que a ferida aberta passa aos poucos a cicatrizar-se, mas nunca se apagará. Você irá se alimentar desta dor por muito tempo, mas aos poucos irá perceber-se divertindo-se, produzindo, trabalhando, enfim, vivendo novamente, mas não será a mesma pessoa de antes, pois esta experiência fará você rever uma série de valores, crenças e comportamentos.
   
Qual é a hora de pedir ajuda?
 
Peça ajuda quando perceber-se em algumas das situações citadas abaixo:


- sente vários dos sintomas fisiológicos citados acima;
- sente muitas dificuldades de compartilhar o sofrimento com o(a) parceiro(a);
- não consegue relacionar-se com os filhos que ficaram;
- não sente vontade de comparecer à eventos sociais já faz um pelo menos seis meses; 
- ninguém consegue ouvir você lembrar tudo o que aconteceu; sente-se culpado por brigar com Deus;
- não conseguiu desvencilhar-se de nenhum objeto ou roupa do filho, mesmo após um ano de sua perda.


(Texto de Gabriela Casellato - Instituto de Psicologia Quatro Estações)