terça-feira, 23 de agosto de 2016

09 ANOS DE SAUDADE - ANA CLÁUDIA CARON 








Te encontrarei nas estrelas;
Te encontrarei em algum lugar
E vamos matar a saudade
De uma espera que vai se acabar.

Nesta estrada sigo a caminhada,
Um tempo a mais que você, vou andar
Mas, vou colhendo perfumes na estrada
Pra quando a gente  se reencontrar.

Então vamos viver novamente
Tudo que ficou para trás
Num mundo bem diferente
Onde somente reina a paz.


(Ataíde Lemos)

domingo, 6 de setembro de 2015

HOJE SERIA SEU 27º ANIVERSÁRIO AQUI CONOSCO


Hoje o céu está em festa!! Pois uma pessoa especial faria aniversário aqui na terra, completaria 27 anos, mas Deus resolveu que a festa seria lá ao lado dele, Imagina se não!!
Ana Cláudia era feliz, e lá, do lado de lá espero que continue sendo, aliás muito feliz.
Sempre sorridente, amava a vida jamais iria querer passar seu aniversário sem os familiares e amigos. Os que nos precederam estão lá comemorando junto com ela, com certeza.
Hoje não posso lhe dar beijos e abraços como antes. Simplesmente tenho você em meus pensamentos e em minhas orações, beijando sua foto que está comigo. Espero que onde você está tenha sentido o meu beijo minha filha querida.
Na verdade eu queria você aqui pertinho de mim; queria poder cantar parabéns pra você. Mas bem sabemos que não é possível, por isso espero que sempre sinta todo o meu amor e carinho até o dia em que estaremos juntas novamente e para sempre.

Te amo.

sábado, 22 de agosto de 2015

ANA CLÁUDIA CARON - 08 ANOS DE MUITA SAUDADE


Ao longo de alguns dias tenho procurado palavras para expressar o meu amor e minha saudade nesses já oito anos que estamos separadas.
Desde quando nos privaram da tua presença física, minha mente já não funciona tão bem. A formação de textos se perdem ou se fundem em meus pensamentos e não consigo repassar para o papel ou no notebook aquilo que quero escrever. A dor e a tristeza continuam sendo minhas eternas companheiras.
Meus pensamentos no início do dia ao cerrar de meus olhos continuam sendo em você. Não há um só dia que não pense em você filha querida.
Queria poder descrever tudo o que tenho sentido e passado por esses oito anos da nossa separação, mas acredito que do lugar onde você se encontra agora possa ver e saber tudo o que aqui tem acontecido comigo, com teu pai, tua irmã, enfim toda a família e amigos seus. Então procurei em versos, poemas e músicas, trechos que de alguma maneira expressam um pouco do que vivemos e sentimos aqui sem você. (Liane Taborda Caron)

A sua ausência é um estar em mim. (Carlos Drummond de Andrade)

Metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Metade de mim é partida, mas a outra é saudade.
Metade de mim é o que ouço, mas a outra é o que calo.
Metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.
Metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
E que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor
E a outra metade... também. (Osvaldo Montenegro)

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam. (Pablo Neruda)

E é por isso que eu tenho mais saudades.
Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis.
De que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência. (Clarice Lispector)

É nesse momento de saudade, quando penso em você.
Quando tudo está machucando o meu coração e acho que não tenho mais forças para continuar, eis que surge tua doce presença, com o esplendor de um anjo; e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante.
Tudo isso acontece porque amo e penso em você. (William Shakespeare)

TE AMAMOS ANA CLÁUDIA. HOJE E SEMPRE.



terça-feira, 7 de outubro de 2014

PRECE DE CÁRITAS


Deus nosso Pai.
Que sois todo poder e bondade.
Dai força àquele que passa pela provação.
Dai luz àquele que procura a verdade,
pondo no coração do homem a compaixão e a caridade.
Dai ao viajor a estrela Guia,
ao aflito a consolação,
ao doente o repouso.
 ao culpado o arrependimento,
ao espírito a verdade,
a criança o guia,
ao órfão o pai.
Que vossa bondade se estenda sobre tudo aquilo que criastes.
Piedade senhor, para aqueles que não vos conhecem.
Esperança para aqueles que sofrem.
Que a Vossa bondade permita aos espíritos consoladores, derramarem por toda parte, a paz, a esperança e a fé.
Deus,
Um raio, uma faísca do vosso amor pode abrasar a Terra.
Deixai-nos beber das fontes dessa bondade fecunda e infinita.
E todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.
Um só coração, um só pensamento subirá até vós.
Como um grito de reconhecimento e de amor.
Como Moisés sobre a montanha nós vos esperamos com os braços abertos.
Oh! Bondade,
 Oh! Beleza,
Oh! Perfeição.
E queremos de alguma sorte merecer a vossa misericórdia.
Deus,
Dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vós.
Dai-nos a caridade pura.
Dai-nos a fé e a razão.
Dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas
O espelho onde se deve refletir a vossa imagem.

Que assim seja.



Sobre o Espírito Cárita
 Não se pode dizer quem, de fato, foi esse Espírito quando encarnado. Há quem diga, por tradição, que, no passado, esse Espírito tenha sido a figura de Irene, que foi martirizada em Roma no ano 305, quando das perseguições do Imperador Diocleciano. Canonizada por sua religião, veio a ser conhecida como Santa Irene - ela e suas irmãs foram convertidas ao Cristianismo.
Diocleciano determinou perseguição aos cristãos, e ela foi acusada de possuir "livros proibidos" e, por isso mesmo, foi condenada à fogueira, enquanto suas irmãs foram degoladas à sua frente. Como disse, é uma informação desprovida de provas, que se deve considerar apenas e tão somente como especulativa, valendo-se do fato que, na mensagem reproduzida do Espírito Cárita, estar colocado que ele (o Espírito) foi martirizado em Roma.

Sobre a Prece de Cáritas
A prece de Cáritas foi psicografada na noite de Natal, 25 de dezembro, do ano de 1873, ditada pelo Espírito Cárita. A prece de Cáritas não se encontra no livro " O Evangelho Segundo o Espiritismo”, mas ela (a prece) está no livro "Rayonnements la Vie Spirituelle", de autoria da W. Krell , que, além dessa prece, psicografou, ainda, as comunicações: "Como servir a religião espiritual" e  "A esmola espiritual".  Esse livro ainda é editado na Bélgica.

Wallace Leal V. Rodrigues, que foi um dos que traduziram a prece, se valeu da segunda edição do livro referido, editado pela Union Spirite Belga/1949. Nessa edição a palavra é CARRIT. Segundo ele, como em francês ou francês-belga não há duplo erre (RR), o nome correto para o Espírito seria Cárita. Devido ao aportuguesamento desse vocábulo, acabou por ficar Cáritas, como é mais conhecido no Brasil.
Nas traduções de O Evangelho Segundo o Espiritismo manteve-se Cárita.
 A médium, Madame W. Krell, era respeitada em sua época, tida como uma excelente médium, o que nos leva a dar crédito à prece como sendo do mesmo Espírito que ditou as mensagens que se encontram no Evangelho Segundo o Espiritismo.

 Algumas observações
 A palavra caridade é o aportuguesamento da palavra cárita, que, por sua vez deriva da palavra caritates, cujo significado é amor. 
Por isso encontra-se no texto contido na carta do apóstolo Paulo aos Coríntios as duas traduções: caridade e amor. "Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tivesse amor" ou, em outras traduções, "ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos se não tivesse caridade”. São duas palavras cujo significado é o mesmo. Por isso caridade não é o ato material, mas o ato revestido de sentimento.
 Em função do significado da palavra Cáritas (aportuguesada) ser amor, esse nome foi utilizado por uma organização católica, de âmbito internacional, chamada Cáritas Internacional, que no Brasil se chama  Cáritas do Brasil", cuja missão é amparar as pessoas necessitadas por meio de educação, instrução e qualificação profissional.
 A primeira instituição Cáritas surgiu na Alemanha, em 1897, e o nome da instituição foi inspirado na afirmação de São Paulo: "Caritas Christus urget nos!" (2Cor 5,14). (traduzindo: “O amor de Cristo nos impulsiona”).

Veja que o nome Cáritas foi utilizado pelo Espírito e também por um órgão religioso católico, creio que ambos inspirados no significado da palavra, que é AMOR.
Com esse significado, ou seja, amor, uma das mensagens do Espírito Cárita, contida no Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XII, item 13, toma uma feição mais carinhosa, meiga e, ao mesmo tempo, de profundo significado para a beneficência.

(Texto Explicativo extraído do Site: Amigo Espírita – publicado em 27/02/2012)


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

FUNERAL BLUES (SEM TRADUÇÃO; TAMBÉM CONHECIDA COMO: “ STOP ALL DE CLOCKS” – PARE TODOS OS RELÓGIOS) DE WYSTAN HUGH AUDEN




Pare todos os relógios, corte o telefone,
Impeça o cão de latir com um osso suculento,
Silencie os pianos e com tambor abafado,
Tragam o caixão, deixe os enlutados que venham.

Que os aviões circulem lamentando por cima das cabeças,
Rabiscando no céu a mensagem “Ele está Morto”,
Coloquem laços de crepe em volta dos pescoços brancos das pombas públicas,
Que os policiais de trânsito usem luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste,
Minha semana de trabalho e meu domingo de descanso,
Meu meio-dia, minha meia-noite, minha fala, minha canção.
Eu pensei que esse amor duraria para sempre. Eu estava errado.

As estrelas já não são necessárias; coloque fora todas elas.
Empacotem a lua e desmantelem o sol.
Despeje longe o oceano e varram a floresta;
Pois nada agora jamais poderá ser bom.


Recebi esse poema de uma amiga na dor do luto no mês passado logo após ter completado 07 anos do falecimento da minha filha Ana Cláudia.
Ela se chama Fátima Gonçalves Vianna. Conhecemos-nos em Maio de 2010 quando fomos até Uberaba no intuito de recebermos uma psicografia. Eu de minha filha e ela de seu amado filho Lucas. Encontramo-nos durante o café da manhã no mesmo hotel onde estávamos hospedadas. Contamos um pouco da nossa história e ela da dela. Trocamos os números de telefone e endereço de e-mail para correspondermo-nos. E desde aquela data temos feito isso. As vezes são longas as datas entre um e-mail e outro, entre um telefonema e outro, mas estamos sempre em sintonia de pensamentos e quando a lembrança chama atenção lá vem uma mensagem, um vídeo para assistir, um telefonema. E com esse poema não foi diferente.
Demorei um pouquinho para publicá-lo porque os meses de agosto e setembro são muito difíceis de ultrapassar com as lembranças que nos marcaram.
Na realidade peguei o texto original em inglês e o traduzi do meu ponto de vista. O que ela me passou tem uma tradução um pouco diferente mas que no final relata exatamente o significado de todos os sentimentos que tivemos e continuamos tendo verbalizados e transcritos em palavras. Também procurei saber um pouco mais sobre a vida do autor do poema, e que segue:

Wystan Hugh Auden - nascido em 21 de fevereiro de 1907, falecido em 29 de setembro de 1973 - Foi um poeta anglo-americano. Nascido na Inglaterra e mais tarde tornou-se cidadão americano.
É considerado por muitos críticos como um dos maiores escritores do século 20. Seu trabalho ficou conhecido pela sua realização estilística e técnica, tendo como compromisso as questões morais e políticas e sua variedade de tom, forma e conteúdo. Os temas centrais de sua poesia são: o amor, a política e a cidadania, religião e moral, bem como a relação entre os seres humanos únicos e anônimos.
A primeira, e menos conhecida, versão do poema, escrito e publicado em 1936, tem cinco estrofes; a versão final de 1938 tem quatro. Apenas as duas primeiras estrofes são as mesmas em ambas as versões.
Agora o texto em inglês:

Stop all de clocks, cut off  the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum,
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let airplanes circle moaning overhead,
Scribbling on the sky the message “He is Dead”.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song.
I thought that love would last for ever. I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one.
Pack up the moon and dismantle the sun.
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.







domingo, 31 de agosto de 2014

UMA PRECE ÁRABE


A exato um mês recebi um comentário em uma das minhas postagens de um anônimo. Neste, me solicitava a postagem de um dos textos com o título "Uma Prece". Existem vários textos com esse título, mas o que eu acredito que mais se encaixa ao comentário é esse intitulado acima. E que segue:




Deus, não consintas que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas, nem uma ovelha nas mãos dos algozes.
Ajuda-me a dizer sempre a verdade na presença dos fortes, e jamais dizer mentiras para ganhar os aplausos dos fracos.
Meu Deus, se me deres a fortuna, não me tires a felicidade; se me deres a força, não me tires a sensatez; se me for dado prosperar, não permita que eu perca a modéstia, conservando apenas o orgulho da dignidade.
Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas, para não acusar meus adversários com mais severidade do que a mim mesmo.
Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória, quando bem sucedido, e nem pelo desespero, quando derrotado. Lembra-me que a experiência de uma queda poderá proporcionar uma visão diferente do mundo.
Ó Deus!
Faze-me sentir que o perdão demonstra força, e que a vingança é prova de fraqueza.
Se me tirares a fortuna, deixe-me a esperança.
Se me faltar à saúde, conforta-me com a graça da fé.
E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes, cria em minha alma a força da desculpa e do perdão.
Finalmente Senhor, se eu Te esquecer,  Te rogo que nunca Te esqueças de mim.

(Traduzida por Seme Draibe)

*Agradeço à você anônimo por me ajudar a continuar nessa batalha da vida. Caso não seja esta oração que querias ler, aguardo seu novo comentário e postarei mais as que tenho aqui comigo. Um abraço carinhoso.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

ANA CLÁUDIA CARON - 07 ANOS DE SAUDADE




AUSÊNCIA E SAUDADE
Tenho suportado sua ausência minha filha como quem estando viva, já morreu.
Suporto em silêncio essa pesada cruz da tua ausência.
É também saudade que maltrata, que machuca, que dói sem se saber direito onde.
E que chega de repente, sem avisar.
É a sua ausência com um doer contínuo e latejante, ferida profunda que ninguém vê.
É sangue que escorre por dentro.
É um turbilhão de sentimentos que se misturam.
É um pensar constante nesse vazio que ficou em meu coração.
Sem você meu mundo ficou sem cor.
Não consigo sonhar, não reconheço mais o brilho das estrelas e da lua, as cores do arco-íris, o calor do sol. Eterno inverno em meu coração.
Ahhh...minha filha. Que vazio é esse que em mim ficou.
Sua ausência me faz falida de alegria e esperança.
Minha alma está perturbada e abatida.
Saudade e lembranças foram tudo o que me restou.
Quanto seria eu feliz com você aqui do meu lado.
Quando a noite começa e o relógio se apressa para repousarmos me vejo beijando sua foto e lhe dando boa noite indo de encontro com aquele teu sorriso e aquele teu olhar.
Desejo em todas essas noites em sonho poder te encontrar. E quem me dera se em um desses sonhos nunca mais despertar.
TE AMO MINHA FILHA. TE AMO ANA CLÁUDIA.
HOJE E SEMPRE.
ETERNAMENTE.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

ESTAMOS PASSANDO PELA MAIS DIFÍCIL DAS MUDANÇAS




Olá pessoas queridas do meu coração. Estou meio sumida das chamadas “redes sociais” por  algum tempo e já que fiz grandes amizades virtuais e também me correspondo com minhas amizades e parentes não virtuais através destas redes devo-lhes uma satisfação do meu afastamento.
Sinto falta de me corresponder com todos, mas estou passando por uma fase de mudança. Não está sendo nada fácil, pois além do desgaste físico o desgaste emocional também estava e ainda está me consumindo.
Sempre achei que a mudança da casa dos pais para viver com outra pessoa após o casamento era a mais dolorida, pois você está abandonando a sua fase adolescente e muitas vezes até infantil que você tinha com seus pais para a sua fase adulta, de mulher casada e com novas responsabilidades pela frente. Mas não...
 Sei que muitas pessoas que vivem pagando aluguel do local onde moram talvez não tenham esse apego ao material, mas que de alguma forma deram pedacinhos seus para decorar suas casas temporárias com detalhes particulares da família. Que só quem vive nessa casa entende o porquê disso ou o porquê daquilo.
Bem, onde quero chegar é o seguinte: - Estou me mudando após 12 anos de termos construído o que chamávamos  “A casa dos nossos sonhos”. Dos quais 06 anos foram com a família completa. Uma casa onde pensamos em todos os detalhes do que queríamos e precisávamos. Nos quartos para cada uma das meninas e é claro também um extra para as visitas que aqui ficavam.
Muitas alegrias, festas de aniversários, Natais; os quais gostávamos de ver a casa cheia com as famílias do lado do meu marido e do meu. A entrega dos presentes pelo Papai Noel (que era com frequência um primo do meu marido que encarava a personificação do querido e bom velhinho).
As crianças pequenas com seus olhares brilhantes e fascinadas por verem em carne e osso o tão querido Papai Noel que nunca se esquece de ninguém.
Em seguida a grande ceia partilhada com todos ao som de músicas natalinas e uma oração de agradecimento, geralmente feita pela minha mãe (a matriarca das famílias e a mais idosa entre todos) e logo em seguida o meu breve discurso e um discurso acalorado e cheio de sentimento e algumas “doses” é claro do meu digníssimo marido. Mas a alegria era total. Varávamos a madrugada. E no outro dia como imagino que seja assim em todas as famílias, tínhamos a tradicional comida francesa “Restô Dontê”.
E como também de praxe na maioria das famílias íamos ver a entrada do novo ano no litoral.
E de repente... em 21 de agosto de 2007 a desgraça bateu à nossa porta. Palavra pesada, mas que simboliza bem a perda de uma filha para uma mãe, pai, irmã, irmãos, avó, tios, tias, primas, primos, enfim à todos os parentes.
Apesar do sol brilhando lá fora nossos dias se tornaram cinzas, os sentimentos de alegrias em tristezas, dor e revolta com o mundo e com Deus.
Se passaram muitos e muitos dias com a vontade de ir embora junto com a minha menina. Tão cheia de sonhos, vontades e beleza. No auge da sua juventude. 18 anos vividos e faltando 15 dias para chegar aos seus 19 anos. Tão bela tão cheia de vida tão cheia de amor, tinha pressa em viver e eu mal sabia o por que. Sua passagem por nossas vidas foi tão breve e tão intensa, ah meu Deus, que saudade, que dor no peito ao pensar e escrever o que me vem à mente, ah meu Deus, daí-me forças para continuar...
São tantas as lembranças que agora me vêm à mente que seria capaz de escrever um livro. Mas o que quero dizer-lhes e que está sendo muito difícil me desapegar de tudo o que fizemos aqui para transformarmos essa casa em um lar. As lembranças são muitas e em todos os cômodos da casa. Em cada lugar por onde ando por aqui vejo o meu passado com ela. Os pulos que ela dava na minha cama justamente quando eu estava arrumando a colcha pela manhã e me puxava junto com ela, as vezes que rolávamos pelo tapete da sala ou até mesmo no chão da cozinha, fazendo cócegas uma na outra, quanta saudade... De sentir seu corpo, seu cheiro, sua voz, suas gargalhadas...
Ainda tenho muita coisa guardada e que sei que não poderei levar comigo, por isso tenho aproveitado cada minuto em que fico sozinha mexendo nos nossos pertences, sem pressa, revendo e guardando na memória nossos bons momentos vividos aqui. Não sei quando retornarei para dar-lhes notícias, mas gostaria que soubessem que estão sempre nos meus pensamentos e no meu coração também. Agradeço a quem me ligou e eu não estava presente para atender, a quem me ligou e conseguimos conversar, a todas que me deixaram e continuam deixando seus recadinhos em minha página do Facebook, aos comentários deixados em meu Blog e as muitas mensagens que me enviam por e-mail. Meu muito obrigada a todas(os), pois minha força vêm de vocês para seguir nessa caminhada. Mas essa etapa da minha vida pertence somente a mim e foi dessa forma que resolvi encará-la e enfrentá-la. Beijos a todas(os) com o meu sincero carinho,

Liane.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

31 ANOS DE CASAMENTO E MUITOS PERGUNTAM:



26 de Novembro de 1982. Uma data marcada no álbum de nossas vidas.
31 anos de casamento e muitos perguntam: 
 Qual será o segredo dos casamentos duradouros?  
Casais que convivem há anos falam de paciência, renúncia, compreensão.  
Em verdade, cada um tem sua fórmula especial. 
É ser grato por tudo o que um significa na vida do outro.  
O amor real, por manter as suas raízes no equilíbrio,  vai se firmando dia a dia, através da convivência estreita.
O amor, nascido de uma vivência progressiva e madura,  não tende a acabar, mas amplia-se,  uma vez que os envolvidos passam a conhecer vícios e virtudes,  manias e costumes de um e de outro. 
É jamais ser muito velho para dar-se as mãos, diz ele.  
É lembrar de dizer "te amo", pelo menos uma vez ao dia.  
É nunca ir dormir zangado.
É VIVER 31 ANOS LADO A LADO.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

"SAUDADE" - É O AMOR QUE FICA


Domingo passado (10.11.2013) estive em uma sessão de psicografia que acontece geralmente uma vez por mês aqui na cidade onde moro (Curitiba - Paraná - Brasil). Estava e ainda continuo angustiada em busca de notícias da minha filha Ana Cláudia que partiu desta vida aqui na terra em 22.08.2007. Não recebi mensagem da minha filha mas as mensagem que vieram de outros adolescentes para seus pais me tocou o coração e também aos corações de outras pessoas que lá estiveram. Até aguardarmos o horário da psicografia em si assistimos alguns vídeos e apresentações de músicas que nos tocaram a alma.
Mas uma das coisas que mais tocou as pessoas foi um power point com um texto de um médico cancerologista que conta sobre a passagem de um anjo em sua vida. Algum tempo atrás já havia recebido esse texto na minha caixa de e-mails e então resolvi publicar aqui em meu blog para quem, caso não o tenha lido, apreciá-lo.

Segue:

Médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos 
de atuação profissional, com toda vivencia e experiência 
que o exercício da medicina nos traz, posso afirmar que 
cresci e me modifiquei com os dramas vivenciados pelos 
meus pacientes.

Dizem que a dor é quem ensina a gemer. 
Não conhecemos nossa verdadeira dimensão, até que, 
pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes 
de ir muito mais além.
Descobrimos uma força mágica que nos ergue, nos anima, 
e não raro, nos descobrimos confortando aqueles que vieram 
para nos confortar.
No início da minha vida profissional, senti-me atraído 
em tratar crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil. 
Tinha, e tenho ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. 
Elas nos enternecem e nos surpreendem como suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades.
Nós, médicos, somos treinados para nos sentirmos "deuses". 
Só que não o somos! Não acho o sentimento de onipotência 
de todo ruim, se bem dosado. É este sentimento que nos impulsiona, que nos ajuda a vencer desafios, a se rebelar contra a morte e a tentar ir sempre mais além.
Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e 
prepotência, o que não é bom. 
Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos impõe e entendemos que não somos deuses.
Somos forçados a reconhecer nossos limites!
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, 
onde dei meus primeiros passos como profissional.
Nesse hospital, comecei a frequentar a enfermaria infantil,
e a me apaixonar pela onco pediatria. 
Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes, 
particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes 
desta terrível doença que é o câncer.
Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento destas crianças.
Até o dia em que um anjo passou por mim.
Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, 
calejada porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos. 
Hospitais, exames, manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia.
Mas, nunca vi meu anjo fraquejar. 
Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. 
Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano! 
Mas via confiança e determinação.
Ela entregava o bracinho à enfermeira, e com uma lágrima nos olhos dizia:
- Faça tia, é preciso para eu ficar boa.

Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. 
E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.
Meu anjo respondeu:-
-Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar
escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. 
Eu não nasci para esta vida!
Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:
- E o que a morte representa para você, minha querida?
- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama dos nossos pais, e, no outro dia acordamos no nosso quarto, 
em nossa própria cama não é?
(Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)
- É isso mesmo, e então?- perguntei.
-Vou explicar o que acontece, continuou ela:
Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?
- É isso mesmo querida, você é muito esperta!
- Olha tio, eu não nasci para esta vida!
Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. 
Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!
Fiquei "entupigaitado". Boquiaberto, não sabia o que dizer. 
Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que 
o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem ação.
- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.
Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo:
- E o que a saudade significa para você, minha querida?
- Não sabe não tio? SAUDADE É O AMOR QUE FICA!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica!
Um anjo passou por mim... 
Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente absolutizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência.

Meu anjinho já se foi, há longos anos. 
Mas deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, 
por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci.
Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.
Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo "meu anjo", que brilha e resplandece no céu. 
Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa.
Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que ensinastes, pela ajuda que me destes.
Que bom que existe saudades!
O amor que ficou é eterno!!!


(Rogério Brandão - Médico Oncologista clínico RC
Recife Boa Vista D4500 Cremepe 5758)


sábado, 2 de novembro de 2013

FINADOS E UMA PRECE PELAS PESSOAS A QUEM TIVEMOS AFEIÇÃO 

O dia de Finados é um dia de celebração à vida eterna. Das pessoas queridas que fizeram parte da nossa vida e que nos precederam. É um dia em que a saudade bate mais forte, seguem-se as lembranças e as lágrimas brotam aos olhos. Temos que tentar imaginar que é um dia que o Amor se torna maior, porque amar é sentir que aquele que se foi não morrerá nunca dentro de nós.


Por esse motivo farei a Deus, a minha filha Ana Cláudia, meu pai, meu irmão, meus avós, enfim parentes que me precederam, uma prece. Para que saibam e sintam o meu sincero amor por eles e que essa separação temporária me faça melhor para que e quando chegar a minha hora de partir seja digna do amor e da vida que me aguarda.




Digna-te, ó meu DEUS, de acolher, benévolo, a prece que te dirijo pelo Espírito de minha filha Ana Cláudia. 
Faze-lhe entrever as claridades divinas e torna-lhe fácil o caminho da felicidade eterna.
 Permite que os bons espíritos lhe levem as minhas palavras e o meu pensamento.
Tu, que tão cara me eras neste mundo, escuta a minha voz, que te chama para oferecer novo penhor da minha afeição  e do meu amor por você.

 Permitiu Deus que te libertasses antes de mim e eu disso me não poderia queixar sem egoísmo,  porquanto fora querer-te sujeita ainda às penas e sofrimentos da vida. 
Espero, pois, resignada, o momento de nos reunirmos de novo no mundo mais venturoso no qual me precedeste.
Sei que é apenas temporária a nossa separação e que, por mais longa que me possa parecer, a sua duração nada é em face da ditosa eternidade que Deus promete aos seus escolhidos. 
Que a sua bondade me preserve de fazer o que quer que retarde esse desejado instante  e me poupe assim à dor de te não encontrar, ao sair do meu cativeiro terreno.

Oh! quão doce e consoladora é a certeza de que não há entre nós mais do que um véu material  que te oculta às minhas vistas! de que podes estar aqui, ao meu lado, a me ver e ouvir como outrora,  senão ainda melhor do que outrora: de que não me esqueces, do mesmo modo que eu te não esqueço: 
de que os nossos pensamentos constantemente se entrecruzam e que o teu sempre me acompanha e ampara.
Que a paz do Senhor seja contigo.
Te Amo minha filha. Te Amo Ana Cláudia.
Amo à todos vocês.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

AMORES DISTANTES

DEDICO ESSE TEXTO À TODAS AS MÃES QUE TIVERAM SEUS FILHOS ARRANCADOS DO CONVÍVIO, ASSIM COMO EU. E QUE HOJE CHORAM DE SAUDADE, MUITA SAUDADE...


Nossos amores são o tesouro que a vida nos oferece como dádiva perante os desafios da caminhada.
Quando os temos não conseguimos aquilatar a vida sem eles.
São de tal forma parte integrante da nossa estrutura emocional, que a existência terrena teria um peso imenso sem eles a nos apoiarem e amarem.
Pertencem ao nosso coração porque os laços de querer bem se construíram reciprocamente em experiências e labores, desta ou de anteriores vidas.
Nós os buscamos para abastecer o coração, para alegrar o dia, para desanuviar a mente, pois são eles que aliviam o guante da vida.
Algumas vezes, se separam de nós fisicamente.
Passam a morar em outras terras, pois que casam, precisam assumir compromissos profissionais em lugares distantes, aprimorar estudos... E lá se vão nossos amores.
Nesses momentos, a paciência passa a ser nossa companheira na espera saudosa do retorno deles, na esperança do reencontro, de voltar a usufruir do aconchego da presença que preenche nossa alma com tanta facilidade.
Porém, entendemos que a distância momentânea é necessária, pois se trata dos compromissos de cada Espírito.
Embora essa distância incomode, mesmo que os dias se façam longos, o entendimento e compreensão da situação nos fortalecem para aguardar o momento onde celebraremos mais uma vez o amor e o querer bem.
De forma semelhante ocorre com nossos amores que partiram antes de nós para o lado de lá da vida, para o mundo espiritual.
Foram chamados de retorno ao lar pela Providência Divina, pois outros compromissos os aguardavam nas paisagens da Espiritualidade.
De forma alguma, podemos pensar que Deus não percebeu a dor que essa partida nos causou. Não houve desconhecimento da Divindade, em nenhum momento, a respeito das saudades que nos queimam as fibras mais íntimas da alma.
As lágrimas saudosas que derramamos por aqueles que partiram, eles também as sentem, pois que a vida continua, e ainda mais exuberante.
Também na Espiritualidade, separados fisicamente de nós, eles sentem, na intimidade da alma, nossa ausência e têm o coração apertado nas saudades dos que aqui ainda permanecemos.
Porém, percebem que o reencontro se dará na brevidade que Deus permitir, amparados na certeza de que o amor desconhece as barreiras da distância e do tempo.
Portanto, se hoje os olhos vertem as lágrimas que o coração insiste em fazer jorrar, amanhã será o dia do reencontro.
Novamente a vida nos oportunizará que as mãos se enlacem, os corações batam em uníssono, os olhares falem dos sentimentos que as palavras não conseguem vestir.
Nas saudades dos amores distantes, haverá sempre a certeza do reencontro, o entendimento que o adeus jamais caberá nos lábios daqueles que verdadeiramente amam.
Para esses, somente haverá um até breve, na certeza que hoje simplesmente padecemos a distância momentânea, porém necessária.
Logo mais, em um novo amanhã, em nova etapa, teremos os nossos amores a nos preencher os dias de alegria e plenitude.


(Redação do Momento Espírita em 30.10.2013)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

ESTAÇÃO DAS PERDAS



Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio. 
Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido. 
Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero. Estamos, a partir de então, por nossa conta. Sozinhos. 
Começamos a vida em perda e nela continuamos. Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras possibilidades nos surgem. Ao perdermos o aconchego do útero, ganhamos os braços do mundo. Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói. E continuamos a perder e seguimos a ganhar. 
Perdemos primeiro a inocência da infância. A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas por que alguém ao nosso lado nos assegura que não nos deixará cair... 
E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar Por que? Perguntamos a todos e de tudo. Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas, irremediavelmente deixadas para trás. Estamos crescendo. 
Nascer, crescer, adolescer, amadurecer, envelhecer, morrer...Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros. 
Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos, mesmo quando algo nos é tomado contra a vontade. 
E aprendemos. E vamos adolescendo, ganhamos peso, ganhamos altura, ganhamos o mundo. Neste ponto, vivemos em grande conflito. 
O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos. Ah! os sonhos!!! Ganhamos muitos sonhos. Sonhamos dormindo, sonhamos acordados, sonhamos o tempo todo. Aí, de repente, caímos na real! 
Estamos amadurecendo, todos nos admiram. Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados. Perdemos a espontaneidade. Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo. 
E continuamos amadurecendo, ganhamos um carro novo, um companheiro, ganhamos um diploma. E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalço, tomar banho de chuva, lamber os dedos e soltar pum sem querer. Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e tascamos-lhe aquele beijo estalado, mas apertamos as mãos de todos. 
Ganhamos novos amigos, ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento, honrarias, títulos honorários e a chave da cidade. E assim, vamos ganhando tempo, enquanto envelhecemos. De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas (ou nas pernas), ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso e perdemos cabelos. 
Nos damos conta que perdemos também o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos, deixamos de sorrir, perdemos a esperança. Estamos envelhecendo. Não podemos deixar pra fazer algo quando estivermos morrendo. 
Compreender que as perdas fazem parte, mas que apesar delas, o sol continua brilhando e felizmente chove de vez em quando, que a primavera sempre chega após o inverno, que necessita do outono que o antecede. 
Que a gente cresça e não envelheça simplesmente. Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie. Que tenhamos rugas e boas lembranças. Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia. Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos. E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo, mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos, sintam-se amados mais do que saibam-se amados.

 (Aila Magalhães)